UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Mudança do clima na amazônia aumentou estação de seca, diz Carlos Nobre

31/10/2023

A seca deste ano na amazônia criou um cenário de terra arrasada. Com os rios em níveis baixos históricos, comunidades inteiras ficaram isoladas e com difícil acesso a alimentos e água potável. O tempo seco contribuiu ainda para a proliferação das queimadas, que destroem florestas e plantações e poluem o ar.
O aumento de períodos severos de estiagem na amazônia acende um alerta sobre o presente e o futuro da região. A comunidade científica adverte que as mudanças climáticas e o desmatamento podem levar à morte da floresta. Esse processo de degradação geraria enormes emissões de carbono, desregularia o sistema de chuvas no continente e causaria a extinção de centenas de espécies endêmicas do bioma.
Em entrevista a DW, Carlos Nobre, climatologista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e referência mundial em estudos sobre mudanças climáticas, falou sobre a atual seca na região, o possível colapso irreversível da floresta e como reverter esse processo.

Seus estudos indicam que a amazônia pode perder suas características de floresta tropical úmida e virar um bioma desértico, semelhante ao cerrado, passando pela chamada "savanização". Como ocorreria esse processo?

Ocorreria pelo fato de que o clima na amazônia está mudando. Em primeiro lugar, nós temos o aquecimento global, que induz a uma estação seca muito longa em uma parte muito grande da amazônia. Junto com isso, há também o desmatamento. A pastagem recicla muito menos água do que a floresta.
A estação seca já está quatro a cinco semanas mais longa em todo o sul da amazônia, que vai do Atlântico até a Bolívia, quatro semanas na floresta, e cinco semanas em áreas muito desmatadas.
O início da estação chuvosa está sendo atrasado. Antes, no sudeste da amazônia, começava no fim de setembro, agora está começando no fim de outubro. Toda a estação seca durava de três a quatro meses, agora já são quatro a cinco meses. Quando atingir cinco a seis meses, passa a ser o envelope climático da savana tropical.
Se continuar nesse ritmo, a floresta vai se degradando, vai sendo substituída por uma vegetação degradada de céu aberto, com muito poucas árvores, muito pouco armazenado de carbono. Não será mais a floresta do céu fechado.

A atual seca já é histórica. Ela pode ser vista como um sintoma desse processo de desertificação?

O aquecimento global está induzindo secas mais frequentes. Nós tivemos cinco secas na amazônia em menos de 20 anos: 2005, 2010, 2015 e 2016, 2022 e agora, 2023. A seca deste ano está sendo muito forte, se continuar nesse nível, ela pode até bater o recorde da seca registrada em 2015 e 2016.
Essas secas têm a ver com o fenômeno El Niño no oceano Pacífico Equatorial. Mas secas fortes eram raras e agora estão acontecendo com enorme frequência no sul da amazônia. El Niños mais fortes estão acontecendo. Tudo isso acelera a degradação da floresta e esse processo de mudança drástica no seu bioma, que pode acontecer se alcançarmos o ponto de não retorno.

Em que estágio nós estamos agora? Se seguirmos nesse ritmo de desmatamento, quando alcançaremos esse limiar crítico?

O desmatamento já está na faixa de 17%. Nos últimos anos, a amazônia tem aumentado 1% de desmatamento a cada quatro anos. Seguindo nesse ritmo, atingiria 20% de desmatamento em menos de duas décadas.
De acordo com os últimos compromissos da COP27, o aumento da temperatura chegaria de 2,4°C a 2,6°C em 2050. Então, no máximo em 2050, já alcançaríamos o ponto de não retorno. Mas já estamos vendo o aumento da mortalidade e da duração da estação seca agora. Isso já está acontecendo, em todo o sul da amazônia.

Termine de ler a entrevista clicando na Folha de S. Paulo

Novidades

Nova espécie de felino é descoberta em florestas da Bolívia

01/10/2026

Uma nova espécie de felino selvagem foi identificada nas florestas montanhosas da Bolívia, na região...

Elefantes conseguem pensar antes de agir, mostra estudo

01/10/2026

Elefantes conseguem pensar antes de agir e resistir a comportamentos impulsivos, revela uma nova pes...

Por que o Japão tem tão poucas lixeiras e, ainda assim, mantém suas ruas limpas

01/10/2026

Se você passar um dia andando por Tóquio, é possível que acabe carregando um copo de café vazio, a e...

Gigante e gentil, Backpack é eleito urso mais gordo do Alasca

01/10/2026

O urso Backpack, conhecido por seu comportamento tranquilo, foi eleito o campeão da Fat Bear Week (S...

Tubarão encalhado na Coreia do Sul atrai 600 mil visitantes, e tentativa de resgate fracassa

01/10/2026

Um tubarão encalhado em um canal na cidade de Busan, na Coreia do Sul, tornou-se a mais recente atra...