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O que sabe sobre a influência da mudança climática nos furacões

05/09/2023

Os cientistas têm alertado para o impacto da mudança climática em furacões como Idalia, que se fortaleceu rapidamente no Golfo do México antes de tocar a terra na Flórida na quarta-feira (30).
Leia abaixo o que se sabe sobre os efeitos da crise climática nestes fenômenos naturais.
Em maio, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) antecipou uma temporada de furacões no Atlântico "quase normal".
Essa previsão baseou-se em grande parte na existência do fenômeno meteorológico El Niño, que contém a formação de furacões ao aumentar a circulação vertical do vento, o que provoca a descida do ar frio.
A entrada desse ar "seco e menos energético" no coração de um ciclone tropical "impede que ele se fortaleça", disse à AFP Allison Wing, cientista da Universidade Estadual da Flórida.
Mas, em agosto, a agência ajustou as suas previsões para cima, anunciando que a temporada seria "acima do normal" com base nas condições oceânicas e atmosféricas. Explicou que "temperaturas recordes na superfície do Atlântico" provavelmente compensariam os efeitos do El Niño para os furacões.
"Em termos de previsões sazonais, é um ano complicado porque temos estes dois fatores contraditórios", acrescentou Wing.
Em 24 de julho, uma boia no extremo sul da Flórida registrou uma temperatura de 38,4°C, mais próxima à de uma banheira de hidromassagem do que à de um oceano, um possível recorde mundial.
"A água quente, tanto na superfície do oceano quanto nas profundezas, atua como um combustível que intensifica as tempestades tropicais e os furacões", disse Michael Mann, climatologista da Universidade da Pensilvânia. "Isso permite que eles fiquem mais fortes mais rapidamente e alcancem maior potência de pico."
Os furacões requerem uma série de condições para se formarem, mas, quando isso acontece, o calor dos oceanos permite que gerem ventos mais fortes e marés mais altas.
"Poderíamos dizer que a mudança climática é um jogo de dados", acrescentou Wing. "Cenários muito diferentes ainda são possíveis para cada tempestade, mas a probabilidade de uma tempestade muito intensa é maior."
A mudança climática também pode aumentar a quantidade de chuva que os furacões trazem, segundo Andrew Kruczkiewicz, pesquisador do Instituto de Investigação sobre Clima e Sociedade da Universidade Columbia.
"Quanto mais quente for a atmosfera, maior será a capacidade de absorção de água", o que pode significar mais chuvas, disse o especialista.
As pessoas que fugiram para o interior para escapar de um furacão também poderão enfrentar condições extremas, acrescentou.
As chuvas durante o furacão Ian, em setembro de 2022, aumentaram pelo menos 10% devido à mudança climática, segundo pesquisas recentes.
Além da intensidade das tempestades, suas temporadas parecem cada vez mais longas.
Segundo Mann, o período em que as temperaturas da superfície oceânica favorecem a formação de tempestades tropicais começa mais cedo e termina mais tarde. Esse parece ser o caso tanto no Atlântico quanto no Golfo de Bengala, na Ásia.
Muitas pesquisas indicam que a mudança climática torna os furacões mais perigosos, mas o efeito sobre a frequência é mais incerto e são necessários novos estudos para a sua compreensão.

Fonte: Folha de S. Paulo

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