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Brasileiro cria urna que transforma cinzas humanas em árvores

31/08/2023

Lidar com a morte nunca é fácil. Em meio à tristeza da partida do ente querido, é preciso lidar com uma série de burocracias e decisões sobre o sepultamento. Mas, alternativas aos enterros tradicionais podem deixar o processo mais leve, exemplo disso é a “Urna Verde” capaz de transformar cinzas humanas em árvores.
Desenvolvida pelo carioca Evandro Henrique, a urna funerária é fabricada com fibras naturais, como fibra de coco, terra e semente – sendo, portanto, de acordo com ele, 100% biodegradável.
A Urna Verde é dividida em duas peças: a parte superior é composta por uma espécie de vaso de fibra de coco, que funciona como uma germinadora para receber as sementes e a terra, e a parte inferior é o compartimento que receberá as cinzas do falecido, este último servirá como adubo para o plantio da árvore.
“A morte é um assunto que evitamos falar, mas a Urna Verde dá um novo significado a ela, já que a semente e a árvore nos remetem a vida”, afirma o idealizador da iniciativa.
Com o produto, cria-se um novo conceito de vida após a morte: o ente querido pode ganhar mais anos de “vida” na natureza. Não se trata de eternizá-lo, pois, como todo ser vivo, a árvore também morre. Mas, ainda assim, ao final do ciclo, a matéria da árvore ainda pode ser reutilizada como adubo, de forma que tal vida pode ser homenageada e celebrada através de gerações.
Ao CicloVivo, Evandro Henrique conta que a inspiração para a criação da urna funerária ecológica parte de experiências pessoais e profissionais. Antes de empreender, ele gerenciava uma empresa que coletava os resíduos sólidos de 10 aeroportos do Brasil e doava o volume para cooperativas de catadores para a reciclagem. Portanto, a preocupação ambiental já fazia parte de seu ofício.
Evandro também afirma que desde criança é apaixonado por árvores, natureza e o planeta Terra. Foi a partir dessa paixão que ele conseguiu ressignificar um processo de luto pelo qual passou.
Além de cinzas humanas, o produto também foi pensado para oferecer uma alternativa à lembrança dos animais de estimação, uma vez que muitos tutores não sabem o que fazer com as cinzas após a cremação. “De uma forma mais consciente, sustentável, natural e bonita, transformamos o processo da ‘morte’ em ‘vida’ por meio da natureza”, completa.
Serviços funerários mais comuns no Brasil, como o enterro, causam diversos impactos ambientais. Entre os problemas do enterro, podem ser citados: a contaminação do solo (e dos lençóis freáticos) por necrochorume, a contaminação por meio dos metais pesados das alças dos caixões e o vazamento de gases sulfídricos por má confecção e manutenção de sepulturas e jazigos.

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