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Estátuas de Aleijadinho são danificadas por poeira provocada pela mineração; moradores reclamam da qualidade do ar

24/08/2023

O Cidades e Soluções deste domingo (20) discutiu as questões críticas da qualidade do ar em várias parte do Brasil e do mundo, destacando o impacto na saúde e no meio ambiente. Em Congonhas (MG), a poeira causada pela mineração intensiva está afetando esculturas históricas do mestre Aleijadinho, que estão sendo corroídas.
“Os Doze Profetas”, criados entre 1800 e 1805, ficam no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em uma área privilegiada da cidade na parte mais alta. Ao passar a mão na base da estátua, é possível ver um pó marrom que sai do monumento.
“Santuário que tem obras de arte de valor incalculável, como os profetas de Aleijadinho que estão carcomidos pela ferrugem e a gente vê que essas obras hoje estão perdendo as suas características originais, degradando por causa da poeira que além de atacar fisicamente, quimicamente a estrutura da pedra sabão, provoca inúmeros males à saúde das pessoas aqui em Congonhas”, destaca o professor do IFMG, Daniel Neri
Moradores de Congonhas também reclamam dos problemas causados pela poluição do ar, devido à poeira na cidade.
"Empoeira muito. Quem tem alergias e tudo, nesses dias de muito vento é complicado", relata uma moradora.
Antônio Carlos Andrade destaca os males para a saúde da população, especialmente, às crianças.
“Tem que a ver um meio de eliminar essa poeira porque essas crianças que estão vindo hoje, já tem tantos problemas ainda tem que encarar essa poeira cada vez mais", diz o aposentado.

Quais são os desafios e soluções para a poeira em Congonhas?
Ao Cidades e Soluções, a CSN Mineração afirma ter medidas rigorosas para mitigar a emissão de poeira (veja nota abaixo), mas os especialistas questionam a eficácia dessas medidas.
A culpa não é do vento. Vento sempre existiu na Terra, né? O problema é que a gente está destruindo. A gente está tirando a vegetação. Muitas dessas áreas onde tem minas aqui hoje era mata atlântica ou cerrado, ou zona de transição, ou nosso campo de altitude. Isso aí tudo foi dizimado, então 40% do território de Congonhas, hoje ele está praticamente em área desnuda", destaca o especialista em mineração, Sandoval de Souza.
Para o professor do IFMG, Daniel Neri é necessário equilibrar o desenvolvimento da mineração com a preservação da saúde e do meio ambiente.
"Ora, se a gente tem um problema que impacta uma cidade do porte da cidade de Congonhas, a gente não pode mais licenciar projetos de expansão da mineração. A gente precisa preservar a saúde. A gente precisa precisa preservar a vida das pessoas".

Veja a nota da CSN Mineração clicando no g1

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