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Como a expansão da Transamazônica colaborou para o desmatamento, garimpo e ocupação desenfreada da Amazônia

15/08/2023

A defesa da Amazônia e o desenvolvimento da bioeconomia dependem do combate aos crimes contra o meio-ambiente. O Globo Repórter da última sexta-feira dia 11 mostrou como a expansão da Transamazônica abriu portas para invasão de terras indígenas, garimpo, extração de madeira, caça, pesca e desmatamento ilegal.
“As pessoas querem investir na Amazônia, mas elas temem que seus investimentos na área rural seriam contaminados com a ideia de que é uma terra sem lei, que vai estar associado ao desmatamento. Então, o fim do desmatamento, ele não é bom para a floresta, ele é importante para a própria economia da região”, explicou Beto Veríssimo, pesquisador e cofundador do Imazon.
Em uma região do Sudeste do Pará, por exemplo, o que se vê dos dois lados da Transamazônica é pasto.
Nas décadas de 1970 e 1980, em plena ditadura militar, o governo abriu caminho para incentivar o avanço sobre uma imensidão de mata verde. A rodovia foi inaugurada pelo então presidente Emílio Médici, em 1970, em Altamira (PA), e os trabalhos de construção começaram como forma de ampliação das fronteiras econômicas do país.
A rodovia, que rasgou a Amazônia, revelou riquezas até então escondidas, e elas atraíram atividades criminosas que deixaram cicatrizes, como o desmatamento e o garimpo. A Transamazônica sai de Cabeledo, na Paraíba, e vai até Lábrea, no Amazonas. Para a sua construção, vieram pessoas de toda a parte do Brasil.
Na Constituição de 1988 o meio ambiente ganhou o amparo da lei, e surgiu uma nova visão: de que a floresta devia permanecer intocada. Agora, no século XXI, o desafio é ainda maior: é preciso conciliar a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento econômico.
“Nesse período todo, a gente aprendeu que a floresta tem um valor maior, crescente, estratégico, econômico, geopolítico. Também aprendemos como fazer uma agricultura na Amazônia melhor. Hoje, não justifica mais o desmatamento, sendo que a floresta tem valor”, disse Veríssimo.

Fonte: Globo Repórter

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