
10/08/2023
Com a temperatura média mais alta registrada nos oceanos, alcançando os 20,96°C, peixes marinhos sofrem com as águas mais quentes e ficam mais estressados. De acordo com uma pesquisa internacional, com participação da Universidade de Brasília (UnB), o calor influencia no nível de cortisol – hormônio que regula o metabolismo energético e que está relacionado ao estresse – em espécies de peixes marinhos.
"Este aumento de temperatura nos últimos anos pode ter um efeito bastante nefasto sobre os peixes. Eles não só são nossos alimentos possíveis, têm um papel econômico, mas têm um papel ecológico e o direito de existir, que faz parte deste equilíbrio do planeta, que vai sofrer um desbalanceamento por conta das altas temperaturas e do aumento da taxa de mortalidade dos peixes", diz o pesquisador Eduardo Bessa.
De acordo com Bessa, que integra o Departamento de Zoologia da UnB e foi o único brasileiro entre os pesquisadores, a cada 10°C de aumento da temperatura, há o aumento de 1 nanograma/ml de cortisol.
A pesquisa, segundo o professor, é uma meta-análise, que é o estudo de dados e informações derivados de outras pesquisas. Ou seja, não é um trabalho experimental, de causalidade, mas sim de correlação e comparação.
O levantamento foi dividido em três fases:
🐟 Inicialmente, cerca de 250 peixes de diferentes espécies foram analisados;
🐠 Depois, houve o detalhamento aprofundado de 33 espécies;
🦈 Dentre estas, um peixe de água doce, a tilápia do Nilo e um peixe de água salgada, o robalo europeu, foram analisados em detalhes para entender os efeitos da temperatura no nível de cortisol entre animais da mesma espécie.
Além da UnB, a Universidade de Montpellier e o Instituto Nacional da Pesquisa Agronômica (INRAE), na França, e a Fundação Coispa, na Itália, também participaram do estudo.
O cortisol, de acordo com a pesquisa, desempenha um papel central na capacidade dos peixes de enfrentar os desafios ambientais. O hormônio mobiliza energia e ativa mecanismos fisiológicos para permitir que os peixes lidem com processos como imunidade, apetite, crescimento e reprodução.
O professor Eduardo Bessa destaca que o aumento de estresse nos peixes, influenciado pela temperatura, pode cortar o direcionamento de energia para ações de longo prazo e redirecionar para a resolução de ameaças imediatas.
“É adaptativo, é vantajoso para o bicho, essa variação de investimento de energia quando tem uma ameaça imediata. O problema é o estresse cumulativo, o que era pra ser um corte temporário vira uma coisa permanente, começa a ter deficiência imunitária, perda de fertilidade, entre outros fatores”, diz o cientista brasileiro.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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