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As medidas para evitar que El Niño provoque ´hecatombe´ na Amazônia

07/07/2023

O El Niño pode causar uma “hecatombe ambiental” na Amazônia neste ano ou no início do próximo, afirma a bióloga brasileira Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster, ambas no Reino Unido.
O fenômeno climático, que envolve um aquecimento incomum no Oceano Pacífico, deve ser bastante intenso neste ano e pode causar mudanças acentuadas em todo o mundo.
Recentemente, os climatologistas anunciaram que o fenômeno já se formou e irá se fortalecer entre o fim do ano e os primeiros meses de 2024.
Um dos temores de pesquisadores brasileiros são os problemas que isso pode causar na Amazônia.
Uma das principais dificuldades, apontam os especialistas, é a seca extrema causada pelo El Niño, o que pode culminar em grandes problemas em meio à devastação da Amazônia nos últimos anos, período em que o bioma enfrentou altos índices de desmatamento e incêndios.
“Isso (o desmatamento) só começou a cair principalmente a partir de abril deste ano. Se esse El Niño for realmente forte, o que há grande probabilidade, é uma grande preocupação porque vai aumentar o número de incêndios e destruir ainda mais a floresta, acelerando o processo de degradação”, diz Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).
O cenário, dizem especialistas, pode ser pior do que o registrado entre o segundo semestre de 2015 e o início de 2016, período do El Niño mais recente.
Naquela época, o fenômeno causou efeitos devastadores em diferentes regiões do mundo.
Na Amazônia, houve redução de chuvas e intensa seca em uma mata que normalmente é úmida, cenário que favoreceu a disseminação do fogo causado por humanos.
“Eu passei meses na Amazônia em 2015 (no período de El Niño) e foi traumático olhar tudo aquilo”, diz Berenguer.
"Eram milhares e milhares de áreas de floresta queimando e isso dava uma sensação de impotência. Tenho muito medo porque se acontecer algo semelhante agora, após tanto desmatamento, o El Niño pode causar uma verdadeira hecatombe ambiental", acrescenta a bióloga.
O governo federal disse à BBC News Brasil que tem acompanhado o avanço do El Niño e que tem se preparado para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno climático.
A Amazônia enfrentou um período intenso de desmatamento e incêndios durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que costumava minimizar a gravidade desses fenômenos.
Na gestão anterior, eram recorrentes críticas de pesquisadores sobre a falta de fiscalização ambiental no país e o sucateamento de órgãos de fiscalização.
“No governo anterior houve muito desmatamento, mas, em relação às questões climáticas, como quando ocorreram os grandes incêndios na Amazônia em 2019, o clima não era tão seco", comenta a bióloga Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e da Rede Amazônia Sustentável.
"Então, se a gente pode dizer assim, a sociedade brasileira teve sorte, porque o que foi ruim (nos anos anteriores) poderia ter sido muito pior se estivéssemos em um ano seco."
No ano passado, o desmatamento na Amazônia bateu um novo recorde. Segundo monitoramento feito via satélite pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a cobertura vegetal da floresta perdeu 10.573 km², uma área semelhante a quase 3 mil campos de futebol por dia.
É o maior número anual, ao menos, desde 2008 – ano em que o Imazon começou a monitorar a região. De acordo com o levantamento, foi o quinto ano consecutivo de recorde de desmatamento desde o início do monitoramento.
Nos últimos quatro anos, segundo o Imazon, a perda florestal da Amazônia foi correspondente a 35.193 km² – área maior que os estados de Sergipe (21 mil km²) e Alagoas (27 mil km²).

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