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Febre maculosa, saúde e meio ambiente

03/07/2023

O noticiário recente jogou luz à febre maculosa, uma doença considerada endêmica, principalmente no Sudeste brasileiro, mas também presente em outros estados. O surto detectado em uma fazenda em Campinas provocou óbitos e assustou muita gente, especialmente pela velocidade com que as vítimas — pessoas jovens e aparentemente saudáveis —adoeceram e morreram.
Não se trata, no entanto, de uma doença nova. O país convive com a febre maculosa desde 1929, quando os primeiros casos foram registrados por aqui. Mas é uma questão de saúde pública importante, que merece atenção por parte da população e dos gestores municipais, estaduais e da União, em razão dos altos índices de letalidade entre os infectados.
A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pela picada de carrapatos e causada pela bactéria do gênero Rickettsia. Não há contágio entre humanos. No Brasil, são duas as espécies de riquétsias que causam manifestações clínicas da febre maculosa: a Rickettsia rickettsi, responsável pelos quadros mais graves da doença, e a Rickettsia parkeri, que provoca casos menos graves. Conforme portaria federal, a notificação de todos os casos é obrigatória e deve ser feita imediatamente às vigilâncias em saúde.
Os sintomas da febre maculosa mais comuns — febre, dores de cabeça, diarreia, vômitos, dores pelo corpo, calafrios e manchas avermelhadas no corpo —, podem ser confundidos com os de outras doenças, como dengue e leptospirose. Daí a importância de as equipes que recebem os pacientes nos serviços de saúde, públicos ou privados, ao realizarem a anamnese, verifiquem não somente as queixas clínicas, mas também questionem se o paciente esteve em área considerada endêmica.
Da mesma forma, é fundamental que as pessoas adotem os cuidados necessários para prevenir a infecção, usando, ao adentrar áreas de vegetação, calças e blusas de manga comprida, de preferência da cor branca, além de botas, para cobrir todo o corpo, e usar repelentes contra carrapatos.
Depois de frequentar área endêmica, caso tenha qualquer sintoma relacionado à febre maculosa, deve-se procurar imediatamente auxílio médico. Assim como acontece com a febre amarela, doença igualmente transmitida em áreas de mata —mas por mosquitos — quanto mais rápido o socorro às pessoas infectadas, maiores as chances de cura e sobrevivência.
Igualmente importante é que os gestores de saúde realizem periodicamente campanhas educativas sobre febre maculosa para a população, e que os profissionais da área recebam a devida capacitação para prestarem assistência resolutiva e para o adequado manejo clínico dos casos suspeitos, evitando óbitos.
Nos casos como os ocorridos na fazenda de Campinas, a investigação epidemiológica deve incluir toda uma avaliação zoonótica e ecológica, para identificar o que pode ter contribuído para disseminar as infecções. Outras medidas para o controle da população de carrapatos também devem ser adotadas.
Toda vez que o homem interfere no meio ambiente, a natureza responde. Não adianta culpar o carrapato ou os animais que os carregam. O desmatamento é fator crucial para o desequilíbrio do bioma, favorecendo, por exemplo, que as capivaras adentrem áreas urbanas. Além delas, gambás, cães e cavalos também podem ser parasitados por carrapatos. Por isso, todo cuidado é pouco.
O cenário epidemiológico da febre maculosa, no Estado de São Paulo e no Brasil, não é diferente de anos anteriores. Embora o assunto esteja em evidência no momento, os números atuais de casos e óbitos não demonstram qualquer anormalidade ou risco de epidemia. Mas servem, isso sim, como alerta para que a doença não seja negligenciada pelas autoridades em saúde, e para que os cidadãos, médicos e profissionais de saúde estejam constantemente informados dos riscos e cuidados necessários. A vida agradece.

Fonte: O Globo

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