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Museu das Culturas Indígenas exibe mostra sensorial sobre a Mata Atlântica

03/07/2023

Inaugurada no início do mês, a exposição “Nhe’ẽ ry – onde os espíritos se banham” apresenta elementos da mata que estimulam o tato, olfato, visão, audição e propriocepção, ou seja, noção espacial. A ideia é recriar a atmosfera da Mata Atlântica sugerindo uma vivência sensorial. A mostra pode ser apreciada no Museu das Culturas Indígenas (MCI), localizado na capital paulista.
A expressão “Nhe’ẽ ry”, usada pelo povo Guarani para denominar a Mata Atlântica, também pode ser traduzida como “lugar onde os espíritos se banham”. Sonia Ara Mirim, curadora da exposição ao lado de Cris Takuá, Carlos Papá e Sandra Benites, explica: “cada elemento da mata tem seu espírito e seu modo de vida, então quando nós, indígenas, falamos dos ‘espíritos da mata’, estamos considerando toda a vida nela presente: floresta, animais, rios e nascentes. Onde há vida, há espíritos”.
Os organizadores não classificam a mostra como imersiva, mas destacam o seu caráter sensorial com elementos distribuídos pelo percurso. Sons, imagens, vegetação e vídeos foram explorados em uma expografia envolvente. É neste contexto que um viveiro de mudas de plantas nativas, com mais de 60 espécies da floresta, opera em alusão ao patrimônio da biodiversidade da Mata Atlântica.
“A mostra é um convite a conhecer como os povos indígenas vivem em sinergia com os seres que habitam a mata e mostrar que essa é a forma mais importante de regeneração: coexistir e não explorar”, descreve Sonia Ara Mirim, também Mestre de Saberes do MCI.
“O conceito parte do sonho de criar um grande território comum, um Yvy Rupa, onde vivemos juntos, com muitas diferenças existentes”, complementam Carlos Papá, Cris Takuá e Sandra Benites.
A partir da perspectiva indígena, o acervo sugere sensibilizar o público sobre a relevância da Mata Atlântica para o planeta. Com dados fornecidos pela Fundação SOS Mata Atlântica, o Museu informa os visitantes sobre os povos que habitam o território, o patrimônio de flora e fauna, a legislação de proteção e outros dados relevantes sobre o bioma.
Nhe’ẽ ry é dividida em quatro eixos temáticos: Viveiro de plantas, Cartografias da floresta, Pedra que canta e Caverna dos sonhos. Ao entrar no espaço, o público vai enxergar a mata a partir de projeções de folhas, raízes, vagalumes, acompanhadas de sons do pássaro urutau, de grilos, do sapo tambor, da cigarra, do vento e até do esturro de uma onça. Imagens e sons da mata, do amanhecer ao anoitecer completam o eixo “Caverna dos sonhos”.
No centro da exposição, uma instalação multimídia reproduz depoimentos e cantos feitos por guardiões da floresta, representantes de diversas etnias que se organizam em prol da preservação da Mata. Sons de pássaros, vento, água e falas dos moradores de aldeias enriquecem este segundo recorte (“Pedra que canta”).
Em “Viveiro de plantas” é possível enxergar a floresta e conhecer mais de 60 espécies nativas presentes na Mata. Posteriormente, as mudas serão devolvidas para reflorestamento. O bloco expositivo reúne ainda vídeos do cotidiano das diferentes etnias que habitam a Mata Atlântica, além de frutas, plantas, animais e insetos.
Outra atração curiosa de Nhe’ẽ ry são os elementos perceptivos que fazem parte do seu mobiliário: um periscópio foi pensado para reproduzir a cidade com imagens da floresta sobrepostas por filtros. Um caleidoscópio multiplica e distorce a vista do Parque Água Branca, localizado ao lado do MCI.
O MCI é uma instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari) em parceria com o Instituto Maracá e o Conselho Indígena Aty Mirim.

Veja o serviço da "Exposição Nhe’ẽ ry – onde os espíritos se banham" no CicloVivo

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