
03/07/2023
À medida que o clima global esquenta, as regiões montanhosas terão mais chuvas de grande intensidade do que se pensava anteriormente, e mais dos perigos que vêm com elas, segundo um estudo publicado na última quarta-feira, 28 de junho, na revista Nature.
Embora os cientistas tenham estudado como a mudança climática poderá aumentar as chuvas extremas em geral, até agora eles não haviam distinguido quanto da precipitação mais forte cairá como neve e quanto como chuva. A distinção é importante porque a chuva tende a produzir mais riscos para os seres humanos do que a neve, incluindo inundações, deslizamentos de terra e erosão do solo.
À medida que o planeta esquenta, a neve começa a se transformar em chuva, mesmo nas montanhas. O estudo descobriu que para cada 1°C que o planeta aquece, as áreas mais elevadas podem esperar 15% mais chuvas fortes.
"Esta é a primeira vez que isso foi quantificado", disse o principal autor do estudo, Mohammed Ombadi, cientista de dados ambientais do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos.
Esse aumento da precipitação extrema é "quase o dobro" do aumento da precipitação extrema total, incluindo chuva e neve, que os cientistas climáticos esperavam anteriormente. A descoberta sobre as precipitações se aplica apenas às regiões mais elevadas do mundo, acima de aproximadamente 2.000 metros de altitude.
Mas cerca de um quarto da população humana vive em regiões montanhosas ou diretamente a jusante (abaixo) delas, disse Ombadi. Embora os deslizamentos de terra não cheguem muito longe, as inundações tendem a afetar mais as populações a jusante, explicou ele, acrescentando que a precipitação é um dos fatores mais importantes na previsão dos riscos de ambos os perigos.
A erosão do solo pode prejudicar fazendas e ecossistemas naturais e aumentar ainda mais os riscos de inundações e deslizamentos de terra. Essas ameaças se somam àquelas representadas pelo derretimento das geleiras nas mesmas cadeias de montanhas e vales fluviais.
Frances Davenport, professora de engenharia civil e ambiental da Universidade Estadual do Colorado, que não participou do estudo, confirmou que, embora os pesquisadores tenham examinado separadamente como a precipitação extrema está aumentando e como a queda de neve está se transformando em chuva, poucas pesquisas combinaram esses fatores até este novo estudo.
"É uma boa maneira de juntar essas mudanças e destacar as regiões onde devemos estar particularmente atentos para grandes mudanças no risco de inundação e chuvas extremas", disse Davenport.
Em seu estudo, Ombadi e seus colegas analisaram dados históricos de 1950 a 2019, bem como projeções de mudanças climáticas até o final do século 21. Eles se concentraram nas regiões temperadas e árticas do hemisfério norte porque faltam dados sobre os trópicos e o hemisfério sul.
Ao modelar diferentes cenários de aquecimento global, os pesquisadores descobriram que as chuvas extremas continuaram aumentando de forma constante, na mesma taxa, para cada grau de aquecimento.
"Se você tem 1°C de aquecimento, isso representa um aumento de 15%. Se for de 3°C, haverá um aumento de 45% na precipitação", explicou Ombadi.
Isso foi uma surpresa, pois a equipe esperava que o aumento das chuvas diminuísse e se estabilizasse à medida que as temperaturas subissem cada vez mais. Eles usaram vários modelos climáticos diferentes, com resultados relativamente consistentes entre eles.
Saiba mais na Folha de S. Paulo
Rio está entre cidades mais afetadas por ozônio nocivo este ano
01/10/2026
Estudo da Unesp encontra contaminantes ligados ao câncer em plásticos e espumas descartados
01/10/2026
Sertanejo usa plantas e animais para prever chuvas no RN
01/10/2026
Escorpiões que brilham sob luz ultravioleta levam cientistas a duas novas espécies em Roraima
01/10/2026
Duas aves brasileiras estão entre as mais barulhentas do mundo, mostra estudo
01/10/2026
Renda de catadores com venda de recicláveis pode dobrar
01/10/2026
