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Onda de calor sem precedentes no Atlântico Norte pode dizimar espécies e alarma cientistas

29/06/2023

Fenômeno derivado das mudanças climáticas provoca temores quanto à vida marinha no Atlântico Norte, onde as temperaturas da superfície do oceano de março a maio foram as mais altas desde que se tem registro na história. A onda de calor sem precedentes foi associada ao desenvolvimento do El Niño, que causa condições climáticas extremas.
As temperaturas da superfície do mar (SST, na sigla em inglês) no Atlântico Norte tendem a subir no verão do hemisfério norte, atingindo um pico no final de agosto. Este ano, elas subiram mais cedo do que o normal, provocando uma onda calor de categoria 4 em partes do mar do Norte, na costa do Reino Unido e da Irlanda.
A National Oceanic and Atmospheric Administration (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica; Noaa, na sigla em inglês) declarou que as temperaturas da água em algumas áreas estavam até 5°C mais quentes do que o normal.
Desde 1981, quando as observações globais por satélite começaram, as anomalias diárias de SST na região têm sido mais altas do que nos 42 anos anteriores, desde a primeira semana de março de 2023.
Somam-se a isso as SSTs no Atlântico Norte até agora para o mês de junho, que foram cerca de 0,5°C mais altas do que as temperaturas mais quentes anteriormente registradas para este mês.
Os cientistas afirmam que as mudanças climáticas e a ausência de nuvens de poeira do Saara provavelmente contribuem para as temperaturas mais quentes. Os ventos do deserto do Saara, que sopram nuvens de poeira e têm um efeito de resfriamento no Atlântico Norte, estão mais fracos do que o normal —possivelmente devido ao El Niño.
Richard Unsworth, diretor-fundador do Project-Seagrass, disse à CNN que a onda de calor no Atlântico foi "muito além das piores previsões para as mudanças climáticas da região", acrescentando que foi "realmente assustador o quão rápido essa bacia oceânica está se transformando por causa disso".
A água mais quente pode estressar espécies marinhas, como peixes, corais e ervas marinhas —muitas das quais não conseguem sobreviver acima de determinadas temperaturas.
"Há um potencial muito grande de que animais como ostras, plantas e algas morram por causa dessa onda de calor nos mares europeus, especialmente em águas rasas, onde as temperaturas podem superaquecer além dos níveis encontrados no fundo do mar", disse Unsworth.

Fonte: Folha de S. Paulo

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