
20/06/2023
A temporada de reprodução das baleias-francas no Brasil, que ocorre anualmente entre julho e novembro, vai começar com incertezas este ano, segundo pesquisadores que monitoram a chegada dos mamíferos marinhos a Santa Catarina.
Isso porque, segundo o gerente de pesquisa do Projeto ProFranca, Eduardo Renault, o ciclo reprodutivo dos animais sofreu alterações nos últimos anos. "Isso faz com que a gente não consiga prever como vai ser esta temporada", disse.
A suspeita, segundo Karina Groch, bióloga e diretora do Projeto ProFranca é de que a mudança esteja ligada diretamente com a baixa na oferta de alimentos.
Ela explica que o intervalo normal de reprodução dos animais é uma vez a cada três anos. No primeiro inverno do ciclo, as baleias acasalam, mas não necessariamente se deslocam até as águas mais quentes.
Já no segundo ano, as fêmeas se afastam das baixas temperaturas e se dirigem ao litoral brasileiro, onde os filhotes nascem longe dos predadores.
"Tendo o filhote aqui, elas têm a garantia que vão ter a tranquilidade para cuidar e amamentá-los", explicou.
No seguinte, e último do ciclo reprodutivo, elas entram no período de descanso, que dura normalmente um ano. Durante o período, a fêmea se recupera para iniciar uma nova etapa.
"O que tem acontecido é esta etapa tem se estendido. Isso pode ser porque ela não encontrou alimento suficiente e, com isso, vai adiar a próxima reprodução até estar mais forte para fazer o investimento de acasalar" explica.
Conforme a pesquisadora, a redução na quantidade de alimento tem relação com as oscilações climáticas.
"Quando está mais quente tem menos alimento e, às vezes, ela vai nadar mais para encontrar, e isso pode fazer com que ela demore para estar bem fisicamente".
De acordo com o ProFranca, 228 baleias foram encontradas em Santa Catarina em 2022, número mais alto em cinco anos. Somente em dois dias, entre 20 e 21 de setembro de 2022, mês em que ocorre o pico, os sobrevoos detectaram cerca de 250 delas, entre mães e filhotes.
Nos anos anteriores, a quantidade de registros foi menor. Em 2021, por exemplo, 120 baleias foram encontradas no estado. Um ano antes, os pesquisadores da ProFranca encontraram 42 animais. Em 2019 passaram 53 mamíferos da espécie. Já em 2018, quando houve o maior registro desde a década de 1980, 273 animais foram identificados.
Fonte: g1
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