
15/06/2023
Entre as embalagens recicláveis, existem aquelas que podem ser facilmente transformadas matéria-prima, como as latinhas de alumínio que alcançaram a marca histórica de 100% de reciclagem no Brasil. Existem, no entanto, embalagens muito comuns, com um processo de reciclagem complicado e muitas vezes inviável do ponto de vista econômico.
Entre os resíduos comuns e difíceis de reciclar, podemos citar o isopor, alguns tipos de plástico, como o filme plástico multicamada e multilateral. Um exemplo são as embalagens de salgadinhos, chocolates e snacks – aquela que é plastificada por fora e metalizada por dentro.
A boa notícia é que uma tecnologia brasileira promete inaugurar uma nova era na reciclagem de filmes plásticos multicamada ao solucionar as restrições econômicas e operacionais que existiam para a recuperação e reutilização destes resíduos pós-consumo. Este material era tratado como não reciclável e destinado a aterros e reciclagem energética, com prejuízos ao meio ambiente.
Desenvolvida com exclusividade pela Deink Brasil, a tecnologia de delaminação e desmetalização permite o reaproveitamento das embalagens laminadas e a utilização da resina gerada como matéria-prima para diversas indústrias, como linha branca, eletrodomésticos, injeção em geral, bem como embalagens flexíveis tais quais filmes e rótulos.
O filme plástico multicamada apresenta em sua composição resinas plásticas diferentes, além de verniz, tinta, adesivo e metal. No processo de reciclagem padrão, disponível atualmente, ele gera um material de limitadíssimas aplicações e geralmente de cor preta, como tampas, prateleiras, baldes, vasos. São aplicações que não chegam a 5% dos resíduos e que apresentam baixa qualidade devido à presença da tinta e do metal.
Com a delaminação é possível separar as camadas de plásticos e remover as camadas de metal, tintas e vernizes de embalagens, como as de snacks e biscoitos, e, ao final do processo, é gerada uma resina natural com características e performance similares à resina virgem. O novo processo tecnológico revoluciona os limites da reciclagem do resíduo plástico de múltiplas camadas, aumentando sua reciclabilidade. Até agora, esse tipo de resíduo era considerado o grande desafio do plástico.
Largamente usado na produção de embalagens e rótulos de alimentos e bebidas, o filme plástico laminada multicamada (conhecido na simbologia da reciclagem de plásticos como número 7) representava um desafio para a indústria da reciclagem devido à limitação das tecnologias existentes para reutilização do material. Por causa disso, seu índice de reciclabilidade, ou seja, viabilidade econômica ou operacional da reciclagem, sempre esteve próximo de zero.
A dificuldade e o alto custo em isolar os elementos desse material sempre fizeram com que seus resíduos pós-produção e pós-consumo ficassem com reaproveitamento quase nulo, representando um problema ambiental grave. Para se dimensionar essa questão e a importância da tecnologia recém-criada, a cada ano o mercado nacional movimenta cerca de 170 mil toneladas de BOPP (polipropileno biorientado), o filme plástico de snacks e biscoitos que inclui também alumínio, tinta de impressão, verniz e adesivo.
“É um processo químico dentro de uma linha de reciclagem mecânica, uma reciclagem híbrida com potencial de uso global”, explica Marcelo Mason, Head de Sustentabilidade & ESG da Deink Brasil. Segundo ele, a conquista da Deink pode ser definida como desenvolvimento de um ciclo fechado e sustentável, utilizando soluções químicas sem solventes.
“Já havíamos conquistado a tecnologia inovadora de destintamento, que promove a remoção total das tintas dos resíduos plásticos impressos, e queríamos ir mais longe, encontrar outras novas soluções. Alcançar agora o domínio do processo da delaminação é um verdadeiro marco no setor de reciclagem de plástico”, destaca Marcelo Mason.
Esta reportagem pode ser lida por completo no CicloVivo
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