UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Como destruição do Cerrado é ofuscada por ´prioridade´ à Amazônia

13/06/2023

Ainda não chegamos à metade do ano, mas o Cerrado já atingiu um novo recorde de desmatamento, tanto no mês de maio quanto no acumulado anual, da série histórica, iniciada em 2019.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre janeiro e maio deste ano foram desmatados mais de 3.320 km² do bioma, um aumento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para comparação, esse território desmatado nos primeiros cinco meses de 2023 equivale a quase duas vezes a área total da cidade de São Paulo.
A realidade não é nova. Em 2022, a ecorregião já havia registrado a maior taxa de desmatamento em sete anos: foram 10.689 km², segundo os dados oficiais divulgados pelo Prodes Cerrado, programa de monitoramento do Inpe.
Ao todo, 110 milhões de hectares do bioma (49% do total) já foram destruídos, sendo substituídos pelo cultivo extensivo de commodities agrícolas, principalmente soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, ou usado para extração de matérias-primas voltadas à produção industrial.
Enquanto o Cerrado bateu recordes de destruição nos primeiros cinco meses de 2023, o desmatamento na Amazônia Legal caiu 31% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Foram 1.986 km² de área desmatada entre janeiro e maio. Em termos absolutos, esse total representa quase metade do que foi registrado no Cerrado, sendo que a floresta no norte do Brasil tem quase o dobro da área da região savânica.
Especialistas afirmam que é necessário cautela ao interpretar os dados de desmatamento em épocas de chuva, já que a alta cobertura de nuvens pode aumentar o tempo de detecção dos alertas de desmatamento. Ainda assim, todos afirmam que a situação é preocupante.
A devastação da vegetação nativa para uso da terra por atividades de agricultura, pecuária e mineração preocupa especialmente por suas consequências brutais para a dinâmica hídrica nacional e no cone sul do continente e, consequentemente, na produção de alimentos na região.
"O Cerrado é o bioma mais ameaçado do Brasil e talvez um dos mais ameaçados do mundo", diz Yuri Salmona, geógrafo e diretor executivo do Instituto Cerrados, que explica que, por muitos anos, a Mata Atlântica esteve sobre grande risco, mas nas últimas décadas foi alvo de fortes esforços de conservação, ao contrário da área de savana.
Segundo o pesquisador, é no período entre maio e junho que costumam ser registradas as maiores taxas de desmatamento no Cerrado, por conta do clima. "Ainda estamos entrando nesse período, o que significa que podemos esperar números ainda piores nos próximos meses."
Segundo os especialistas consultados pela BBC News Brasil, grande parte da discrepância entre os números mais recentes de desmatamento no Cerrado e na Amazônia pode ser explicada por leis mais permissivas na área de savana.
Embora seja o segundo maior bioma da América do Sul, o Cerrado é o que tem a menor porcentagem de áreas sobre a proteção integral no país.
Enquanto o Código Florestal protege 80% da mata localizada em áreas privadas na Amazônia contra o desmatamento, as reservas legais cobrem apenas de 20% a 35% do Cerrado. Ou seja, a lei estabelece uma proporção quase oposta para os dois biomas.
Ao mesmo tempo, apenas 8,21% da área total da savana é legalmente protegida com unidades de conservação (UCs), contra quase metade da floresta do norte.
"Historicamente, o Cerrado foi escolhido para morrer", diz a ecologista Rosângela Azevedo Corrêa, professora da Universidade de Brasília (UnB) e diretora do Museu do Cerrado, que classifica ainda a legislação como "desastrosa" para a ecorregião.

A reportagem completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

Novidades

Rio está entre cidades mais afetadas por ozônio nocivo este ano

01/10/2026

O Rio de Janeiro aparece entre as cidades com maior exposição ao ozônio próximo ao solo em 2026, seg...

Estudo da Unesp encontra contaminantes ligados ao câncer em plásticos e espumas descartados

01/10/2026

Um perigo invisível à saúde pública pode estar acumulado nos locais de descarte e desmanche de resíd...

Escorpiões que brilham sob luz ultravioleta levam cientistas a duas novas espécies em Roraima

01/10/2026

Imagine caminhar pela floresta durante a noite, iluminando pedras e vegetação com uma lanterna ultra...

Duas aves brasileiras estão entre as mais barulhentas do mundo, mostra estudo

01/10/2026

Duas espécies de aves brasileiras estão entre as mais barulhentas do mundo: a araponga-de-garganta-n...