
13/06/2023
No último mês, o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Rodrigo Agostinho, negou pedido de licença da Petrobras para explorar petróleo na Foz do Amazonas, após acompanhar parecer técnico do órgão ambiental.
Segundo Agostinho, a empresa não apresentou dados suficientes que comprovem que, caso seja iniciada a exploração, não haverá impacto ambiental na região.
Além do embate político, que provocou uma crise entre a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente Lula, a exploração de petróleo na região esbarra em questões internacionais, devido à proximidade com a fronteira da Guiana Francesa, e socioambientais, pelo suposto impacto econômico que poderia trazer para a região.
Há também o risco de um grande desequilíbrio ecológico em uma área que, até há pouco tempo, era praticamente conhecida da sociedade científica, o grande recife de coral amazônico.
Embora algumas pesquisas tenham sido iniciadas na década de 1970, os corais amazônicos foram descritos mais detalhadamente em 2016, quando pesquisadores fizeram uma expedição científica que resultou em um estudo na revista científica Science Advances.
O recife, com tamanho estimado em cerca de 1.000 km em linha contínua, com 9.000 km2 (mas que, a depender das projeções, pode chegar a 15 mil km2) de área, concentra uma diversidade única de peixes, corais, algas e esponjas, além de outros organismos marinhos.
"Existem outros corais mesofóticos [como é chamado o tipo de ambiente formado na plataforma, onde há uma zona de profundidade intermediária] no mundo, mas esse tem uma característica única que é ser uma zona de transição da fauna caribenha com a amazônica", explica Ronaldo Francini-Filho, biólogo e professor do Centro de Pesquisas em Biologia Marinha da USP (Cebimar).
A profundidade máxima encontrada na zona recifal da Foz do Amazonas é de 220 m –uma profundidade em que já não há luminosidade, e onde habitam organismos como algas (rodolitos) e fito e zooplâncton, além de alguns peixes profundos.
"Esse substrato oferece nutrientes para organismos que vivem na região chamada de plumas, que é logo acima, onde há luminosidade", afirma.
Já na zona intermediária, com uma profundidade de aproximadamente 150 m, são encontradas esponjas e corais com alta deposição de calcário, formando os recifes. Nesta região, outros peixes acessam o local tanto como área de refúgio quanto de alimentação e reprodução.
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