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´Brincando com fogo´: a contagem regressiva para extração de minerais do fundo do mar

02/05/2023

As partes mais profundas do Oceano Pacífico descansam intactas há milênios. Mas agora as criaturas que vivem milhares de metros sob a superfície podem topar com novos visitantes: empresas extraindo minerais que são imprescindíveis para a transição à energia verde.
A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (International Seabed Authority, ou ISA), organização apoiada pela ONU que regula o fundo do mar, prepara-se para analisar em julho o primeiro pedido de licença de mineração comercial no mar profundo, apesar de muitos de seus Estados membros avisarem que ainda é cedo para a mineração passar da terra para a água.
Dois anos atrás, Nauru inaugurou a contagem regressiva para o potencial início da mineração comercial em águas profundas, prática debatida fortemente desde a década de 1960. A pequena ilha no Pacífico ativou uma cláusula legal que obriga a ISA a analisar pedidos de alvarás de mineração comercial segundo um esquema básico criado para a prospecção, isso se a entidade não conseguir acordar um conjunto completo de salvaguardas para o setor antes de meados deste ano.
Em vista desse prazo, empresas e países estão correndo para influenciar o que vai acontecer a seguir. Enquanto Nauru está pedindo explicitamente que os pedidos de alvarás sejam avaliados a partir de julho, países como a Noruega vêm adotando uma posição pró-extração mais branda, opondo propostas para facilitar o veto a pedidos. Vários países europeus estão pedindo cautela ao mesmo tempo em que realizam seus próprios trabalhos de prospecção, e a China também está enviando embarcações para vasculhar o leito do mar em busca de minerais como cobalto, níquel, manganês e cobre.
Ambientalistas têm alertado para os riscos. Os países estão tentando avaliar o esforço para abandonar os combustíveis fósseis e contrabalanceá-los com a necessidade de proteger os ecossistemas marinhos, destacando que os padrões ecológicos e mecanismos de responsabilidade ainda estarão no limbo quando o prazo se esgotar. Os tesouros ecológicos no fundo do mar incluem criaturas como o raro peixe-fantasma, o polvo-dumbo e a anêmona-do-mar gigante, além de vermes microscópicos que, segundo cientistas, podem encerrar a chave da compreensão da evolução humana.
"Precisamos dessas commodities", observou Michael Widmer, estrategista de metais no Bank of America. Mas, indagou: "Será que se justifica destruir o leito do mar para facilitar a transição energética?".
No momento as empresas podem prospectar águas internacionais em busca de minerais, mas não podem extrair os minerais. A iniciativa de Nauru, que está patrocinando a mineradora The Metals Company (TMC), de Vancouver, pode acelerar a chegada da extração em escala comercial.

Termine de ler esta reportagem acessando a Folha de S. Paulo

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