
02/05/2023
Nas últimas três semanas, o governo do presidente Joe Biden propôs uma regulamentação para acelerar a transição para os veículos elétricos, comprometeu US$ 1 bilhão em ajuda aos países pobres para o combate às mudanças climáticas e preparou o que poderá ser o primeiro limite de emissões de gases do efeito estufa para as usinas de energia.
Mesmo assim, muitos jovens eleitores alarmados com a mudança climática continuam irritados com a decisão de Biden no mês passado de aprovar o projeto de perfuração de petróleo Willow, de US$ 8 bilhões, em terras federais intocadas no Alasca.
Enquanto o presidente anuncia sua candidatura à reeleição, não está claro se os eleitores que o ajudaram a vencer em 2020 por seu compromisso com a ação climática voltarão a comparecer.
Alex Haraus, 25, disse que ele e outros jovens se sentiram traídos pela decisão do projeto Willow, depois que Biden se prometeu como candidato que acabaria com novas perfurações de petróleo em terras públicas, "ponto final".
Haraus, cujos vídeos no TikTok em oposição ao Willow acumularam centenas de milhares de visualizações, descreveu sua reação como "brava, frustrada e decepcionada".
Cerca de uma dúzia de jovens ativistas climáticos entrevistados disseram que não foram aplacados pelos outros atos do governo Biden, mesmo que reduzam significativamente as emissões de gases do efeito estufa que estão aquecendo perigosamente o planeta, disse Haraus. O que eles querem, explicou, é que o presidente controle as empresas de petróleo e gás, que tiveram lucros recordes no ano passado.
"Não acho que nenhuma dessas coisas encoraje as pessoas a perdoar o governo Biden por projetos como o Willow", afirmou Haraus, que vive nos arredores de Chicago. "Os jovens eleitores veem nosso futuro sendo jogado pela janela. Precisamos que Biden enfrente a indústria, caso contrário, não há muito o que esperar."
A esmagadora maioria dos eleitores jovens —cerca de 62%— apoia a eliminação total dos combustíveis fósseis, disse Alec Tyson, diretor associado do Centro de Pesquisas Pew.
Há amplo apoio entre os eleitores registrados de ambos os partidos para uma transição para um futuro em que os Estados Unidos não lancem mais emissões de carbono na atmosfera, disse Tyson. Mas a maioria não está disposta a romper totalmente com os combustíveis fósseis, afirmou.
Desde seus primeiros dias no cargo, Biden destacou a ação climática como prioridade. Logo após se mudar para a Casa Branca, ele voltou a colocar os EUA no Acordo de Paris e estabeleceu uma meta ambiciosa de reduzir as emissões do país em cerca de 50% abaixo dos níveis de 2005 até o final desta década.
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