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Os possíveis efeitos do El Niño forte previsto por cientistas para 2023

02/05/2023

A última vez que o El Niño se formou foi em 2016 — e seus efeitos foram sentidos em todo o mundo.
Esse fenômeno climático contribuiu para o aumento recorde das temperaturas globais, a perda de florestas tropicais, o branqueamento de corais, a geração de incêndios florestais e o degelo polar.
Agora os cientistas acreditam que o fenômeno vai acontecer novamente — e alertam sobre a possibilidade de um El Niño forte se formar nos próximos meses. Além disso, está ocorrendo um aquecimento "acentuado e inesperado" dos oceanos — e, combinados, esses eventos poderiam levar as temperaturas globais a níveis recordes entre 2023 e 2024.
Mas o que sabemos sobre esse fenômeno e por que é preocupante?
O El Niño é um fenômeno climático natural — não causado pela atividade humana — do qual há referências desde, pelo menos, o final do século 19.
"El Niño é basicamente uma mudança na força e direção dos ventos alísios que sopram do leste para o oeste no Oceano Pacífico, o que faz com que a água quente encontrada na parte ocidental do Oceano Pacífico se mova para a região central e oriental do Pacífico", explica Ángel Adames Corraliza, professor de ciências atmosféricas da Universidade de Wisconsin, nos EUA, à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
Mas não se trata de uma mudança inofensiva.
O especialista afirma que o movimento dessas águas quentes provoca um aumento significativo das temperaturas oceânicas na área central e a leste do Pacífico .
"As altas temperaturas oceânicas são mais propícias a fortes chuvas e inundações. E isso tem consequências para o ciclo hidrológico na costa oeste da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador. Há inclusive efeitos diretos na circulação atmosférica que provocam mudanças nas condições climáticas e no clima em geral tanto na América do Norte quanto na América do Sul e também em outras partes do mundo", diz ele.
Adames afirma que isso gera preocupação, principalmente porque um El Niño forte — como o que está sendo previsto para este ano — costuma estar associado a eventos meteorológicos extremos.
"Estamos falando da possibilidade de vermos eventos climáticos extremos que não tendem a acontecer normalmente, porque o El Niño basicamente altera o clima. Então vemos coisas que não são habituais em diferentes regiões. Isso é motivo de preocupação", observa.
Esse fenômeno climático faz com que, por exemplo, em regiões que costumam ser particularmente chuvosas, como o norte da Austrália, ocorram secas e incêndios; enquanto em lugares como a costa oeste da América do Sul, cujo clima é seco e conhecido por seus desertos, ocorram fortes chuvas.

Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo

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