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Caso inédito de sucesso de onça-pintada com filhote em cativeiro é relatado em estudo

25/04/2023

Um dos maiores desafios para a conservação de animais ameaçados de extinção de grande porte é replicar as condições de vida do animal em cativeiro. Tal barreira é tida como a principal que impede a reprodução dos animais que estão sob cuidado.
No caso dos grandes felinos, como a onça-pintada, comportamentos erráticos, estereotipados (repetitivos) ou então agressivos com outros indivíduos da mesma espécie costumam limitar o sucesso reprodutivo. Até agora.
Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), campus Ribeirão Preto, Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e Associação Mata Ciliar, em Jundiaí (SP), conseguiram pela primeira vez registrar um caso bem-sucedido de reprodução de um casal de onças-pintadas e de cuidado parental da mãe com os filhotes.
O artigo relatando o caso foi publicado no último mês na revista especializada Theriogenology Wild.
O estudo ocorreu na Associação Mata Ciliar, onde as duas onças se encontravam desde 2015, quando foram levadas após serem resgatadas por agentes do Ibama.
Tabatinga, a fêmea, foi levada à sede da Associação Mata Ciliar em 15 de outubro de 2015 aos sete meses de idade. Ela foi encontrada sozinha na cidade de Tabatinga (no Amazonas, daí o seu nome), aos dois meses de idade, por agentes do Ibama e permaneceu cerca de cinco meses no Centro de Triagem de Animais Selvagens (Cetas) de Manaus.
Codajás, um macho saudável, chegou ao instituto em Jundiaí no mesmo dia que Tabatinga, com oito meses de idade. Ele foi apreendido pelo Ibama, ainda filhote, de um domicílio após a família matar sua mãe e irmãos.
A química rolou entre os dois e, com algumas semanas de convívio e ciclos estrais depois (como é o nome científico do cio), a gestação de Tabatinga foi confirmada. Os filhotes, um macho e uma fêmea, nasceram em 2018, e Tabatinga e os filhotes foram acompanhados no período pré e pós-parto, durante os primeiros meses de vida, por meio de câmeras de infravermelho (visão noturna) escondidas no recinto.
Para evitar conflitos e diminuir o estresse da fêmea, Tabatinga e Codajás foram separados algumas semanas antes do parto.
O principal achado do estudo foi conseguir confirmar e registrar pela primeira vez alguns comportamentos que envolvem cuidado parental da onça com os filhotes em cativeiro.
Os registros de imagem produziram mais de dez horas de filme, e os pesquisadores os dividiram em três fases para fazer a análise de comportamento: a fase 1, de pré-parto e logo após o parto; fase 2, quando a fêmea foi colocada em isolamento em uma área mais escura e que imitava uma toca; e a terceira e última fase, quando fêmea e filhotes tiveram acesso livre ao resto do recinto.
Na primeira fase, ainda era alto o nível de estresse de Tabatinga, por isso, também foi elevada a frequência de comportamentos estereotipados (mais de 50%). Nas fases 2 e 3, porém, foram registrados comportamentos de afeto (42% e 15%), exploração (30% e 33%) e manutenção (ou cuidado; 15% e 14%) dos filhotes, com lambidas e brincadeiras.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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