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Nível do mar sobe 2 vezes mais rápido e derretimento de geleiras bate recorde, adverte ONU

25/04/2023

O nível do mar está subindo duas vezes mais rápido do que na primeira década de medições (1993-2002) e atingiu um novo recorde no ano passado, disse a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) na sexta-feira (21).
Além disso, o documento da agência da ONU demonstrou que as geleiras estão derretendo em um ritmo dramático e não podem mais ser conservadas, já que os indicadores de mudança climática atingiram níveis recordes, uma tendência que deve se consolidar até 2060.
O derretimento extremo das geleiras e o calor recorde dos oceanos - que causa a expansão do volume de água - contribuíram para uma elevação média do nível do mar da ordem de 4,62 mm por ano entre 2013 e 2022, disse à agência da ONU em um relatório detalhando a devastação da mudança climática.
Isto significa cerca do dobro do que na primeira década registrada, 1993-2002, para um aumento total de mais de 10 cm desde o início dos anos 1990.
A elevação do nível do mar ameaça algumas cidades costeiras e a própria existência de Estados de baixa altitude, como Tuvalu, que planeja construir uma versão digital de si mesmo, no caso de ser submerso.
"Este relatório mostra que, mais uma vez, as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera continuam a atingir níveis recordes, contribuindo para o aquecimento da Terra e dos oceanos, derretendo as calotas de gelo e as geleiras, elevando o nível do mar e aquecendo e acidificando os oceanos", disse o secretário-geral da WMO, Petteri Taalas, na abertura da publicação.
O relatório anual, divulgado na véspera do Dia da Terra, também mostra que o gelo marinho antártico recuou para níveis recordes em junho e julho passados. Os oceanos experimentaram temperaturas recordes, com cerca de 58% de sua área de superfície sofrendo com uma onda de calor marinha.
Os cientistas climáticos alertaram que o mundo poderia estabelecer um novo recorde de temperatura média em 2023 ou 2024, como resultado da mudança climática e do retorno antecipado do El Niño. O derretimento das geleiras bate recorde, adverte ainda a ONU.
O relatório confirma que a temperatura média global em 2022 era 1,15°C mais alta do que nos tempos pré-industriais (1850-1900) e que os últimos oito anos têm sido os mais quentes desde que há registro, apesar do resfriamento causado pelo fenômeno climático La Niña durante três anos seguidos.
De acordo com a WMO, "o derretimento de algumas geleiras europeias literalmente excedeu os recordes".
E "as geleiras continuam em risco máximo porque a concentração de CO2 já é muito alta e a elevação do nível do mar provavelmente continuará por milhares de anos", disse Petteri Taalas.
O derretimento não pode ser interrompido "a menos que criemos uma maneira de remover o CO2 da atmosfera", disse ele.

Venha ler sobre as geleiras europeias clicando no g1

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