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Secas-relâmpago serão comuns à medida que o planeta esquenta, mostra estudo

18/04/2023

As secas-relâmpago, do tipo que chegam rapidamente e podem devastar plantações em questão de semanas, estão se tornando mais comuns e mais rápidas em todo o mundo, e a mudança climática causada pelo homem é uma das principais razões disso, revelou um novo estudo científico.
À medida que o aquecimento global continua, períodos de seca mais abruptos podem ter consequências graves para as populações de regiões úmidas cuja subsistência depende da agricultura alimentada por chuvas. O estudo descobriu que as secas repentinas ocorreram com mais frequência do que as mais lentas em algumas áreas tropicais como Índia, Sudeste Asiático, África Subsaariana e bacia amazônica.
Mas "mesmo para secas lentas, a velocidade de início tem aumentado", disse Xing Yuan, hidrólogo da Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing, na China, e principal autor do novo estudo, publicado na quinta-feira (13) na revista Science.
Em outras palavras, secas de todos os tipos estão chegando mais rapidamente, sobrecarregando a capacidade dos meteorologistas de antecipá-las e a capacidade das comunidades de lidar com elas.
O mundo provavelmente sempre experimentou secas de início rápido, mas apenas nas últimas duas décadas elas se tornaram um foco significativo de pesquisa científica. Novas fontes de dados e avanços na modelagem por computador permitiram que os cientistas se concentrassem nos complexos processos físicos por trás delas.
O conceito também ganhou atenção em 2012, após uma forte seca que atingiu os Estados Unidos, devastando campos agrícolas e pastagens e causando mais de US$ 30 bilhões em perdas, a maioria delas na agricultura.
Em geral, esse tipo de seca rápida ocorre quando está quente e normalmente deveria estar chovendo, mas há muito pouca chuva, disse Andrew Hoell, cientista do clima da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) que não participou da nova pesquisa, mas contribuiu para outros estudos sobre o assunto.
Em tais circunstâncias, o solo já pode estar molhado de chuva ou neve anterior, disse Hoell. Portanto, quando a precipitação para repentinamente, as condições de calor, sol e vento podem fazer com que grandes quantidades de água evaporem rapidamente.
É por isso que os trópicos úmidos tendem a experimentar mais secas repentinas do que lentas. As estações chuvosas geralmente são chuvosas o suficiente para manter a terra e a vegetação úmidas. Mas quando as chuvas falham inesperadamente o calor equatorial pode ressecar o solo com efeitos devastadores.
À medida que a queima de combustíveis fósseis aquece o planeta, secas de todos os tipos estão se tornando mais prováveis em muitos lugares, simplesmente porque pode ocorrer mais evaporação. Mas os cientistas não determinaram se as secas repentinas e as secas lentas estão ficando mais comuns no mesmo ritmo ou se há uma transição de um tipo para outro.
Yuan e seus colegas analisaram dados de modelos de computador sobre a umidade do solo em todo o mundo entre 1951 e 2014. Eles se concentraram em episódios de seca de 20 dias ou mais, excluindo períodos de seca muito curtos que não causam grande dano.
As tendências variaram de um lugar para outro, mas, vistas globalmente, mostram uma mudança para secas repentinas mais frequentes e rápidas.
Yuan e seus coautores descobriram que essas tendências foram bem captadas em simulações de computador que levaram em consideração tanto as emissões causadas pelo homem de gases que retêm o calor quanto as variações naturais do clima global, incluindo erupções vulcânicas e mudanças na radiação solar.

Vem ler a reportagem na íntegra na Folha de S. Paulo

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