
04/04/2023
Cinco gases destruidores da camada de ozônio atingiram níveis recordes em todo o mundo no ano de 2020, mesmo passadas 3 décadas da assinatura do acordo internacional para eliminar gradualmente o uso e a dispersão de substâncias do tipo.
De acordo com um estudo publicado na revista científica "Nature Geoscience" nesta segunda-feira (3), a quantidade desses cinco clorofluorocarbonos (CFCs) na atmosfera aumentou significativamente entre 2010 e 2020, principalmente por causa de brechas que não estão delimitadas no marco legal, o chamado Protocolo de Montreal, assinado inclusive pelo Brasil.
Nesse período, os cientistas identificaram os seguintes aumentos percentuais na concentração atmosférica desses compostos:
* 4% no caso do CFC-115m, passando de 8.38 ppt em 2010 para 8.71 ppt em 2020
* 9% no caso do CFC-114a, passando de 1.03 ppt em 2010 para 1.13 ppt em 2020
* 9% no caso do CFC-13, passando de 3.04 ppt em 2010 para 3.31 ppt em 2020
* 19% no caso do CFC-112a, passando de 0.066 ppt em 2010 para 0.078 ppt em 2020
* E 141% no caso do CFC-113a, passando de 0.43 ppt em 2010 para 1.02 ppt em 2020
PPT é uma medida de concentração muito usada para estimar a quantidade de gases poluentes no ar, como os CFCs. Nesse caso, uma parte por trilhão (ppt) significa que há uma parte dessa substância em cada um trilhão de partes de ar.
Embora os cientistas ressaltem que o impacto atual da emissão desses cincos CFCs seja considerado baixo para a camada de ozônio, um aumento contínuo dessas concentrações pode sim implicar algum prejuízo, e assim comprometer todo o progresso trazido pelo Protocolo, que é fundamental para evitar um aquecimento ainda maior do planeta até o fim do século.
No começo deste ano, a ONU anunciou inclusive que se as políticas atuais de redução de CFCs permanecerem em vigor, a camada que nos protege dos efeitos nocivos dos raios ultravioletas pode se recuperar completamente em 4 décadas.
Isso é importante porque a sua destruição afetaria profundamente a vida no nosso planeta, afetando desde a saúde dos seres humanos até mesmo o desenvolvimento de plantas e outros seres vivos.
Desde a assinatura do Protocolo de Montreal, o uso de CFCs em todo o mundo caiu vertiginosamente. Estima-se que cerca de 99% dos compostos químicos que destroem a camada de ozônio foram completamente eliminados da atmosfera desde o banimento dos CFCs, utilizados principalmente em sprays, equipamentos de refrigeração e em espumas.
No Brasil, por exemplo, uma resolução de 2000 proíbe a utilização dessas substâncias em diversos equipamentos, instalações e produtos, sejam esses nacionais ou importados.
No entanto, em todo o mundo, alguns CFCs ainda podem ser liberados como matéria-prima e em forma de subproduto durante a produção de alguns compostos, como os hidrofluorocarbonos (HFCs), que tem uma função semelhante aos CFCs, mas não causam danos à camada de ozônio.
No caso das cinco substâncias do tipo analisadas, os cientistas acreditam que pelo menos três delas - o CFC-113a, o CFC-114a e o CFC-115 - são conhecidas por estarem envolvidos na produção de outros produtos químicos.
A matéria foi originalmente publicada no g1
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