
04/04/2023
Durante séculos, elas foram apreciadas nas cozinhas da Ásia e negligenciadas em quase todos os outros lugares: aquelas fitas brilhantes de algas marinhas que dançam ao ritmo das ondas frias do oceano.
Hoje, de repente, elas são uma commodity global de sucesso. Estão atraindo dinheiro e um novo propósito em todo lugar por causa de seu potencial para ajudar a controlar alguns dos perigos da era moderna, como as mudanças climáticas.
Em Londres, uma startup está fazendo um substituto do plástico com algas marinhas. Na Austrália e no Havaí, outros estão correndo para cultivar algas que, quando transformadas em alimento para o gado, podem reduzir o metano do arroto dos bovinos. Os pesquisadores estão estudando quanto dióxido de carbono pode ser capturado por fazendas de algas marinhas, à medida que os investidores as veem como uma nova fonte de créditos de carbono para que os poluidores compensem suas emissões de gases de efeito estufa.
E na Coreia do Sul, um dos países produtores de algas marinhas mais estabelecidos do mundo, os agricultores estão lutando para acompanhar a demanda crescente de exportação.
Aquela que era principalmente uma indústria asiática relativamente pequena é agora cobiçada pelo Ocidente. Muito além da Coreia do Sul, novas fazendas surgiram no estado americano do Maine, nas Ilhas Faroé, na Austrália e até no Mar do Norte. Globalmente, a produção de algas marinhas cresceu quase 75% na última década. O foco está indo muito além de seu uso tradicional na culinária.
Mas mesmo que seus defensores a vejam como uma safra milagrosa para um planeta mais quente, outros temem que o cultivo no oceano possa replicar alguns dos mesmos danos da agricultura em terra. Pouco se sabe sobre como as fazendas de algas, particularmente as mais distantes, podem afetar os ecossistemas marinhos.
"Os defensores das algas acreditam que elas são a cura para tudo, uma panaceia mágica para os problemas climáticos. Os antagonistas acham que existe muito exagero", disse David Koweek, cientista-chefe da Ocean Visions, consórcio de organizações de pesquisa que estuda intervenções oceânicas para a crise climática.
Há outro problema. As próprias algas estão sentindo o impacto das mudanças climáticas, particularmente na Ásia.
"A água está muito quente", frisou Sung-kil Shin, agricultor de algas marinhas de terceira geração, enquanto trazia seu barco para o porto uma manhã na Ilha Soando, ao sul do continente sul-coreano, onde as algas há muito tempo são colhidas e cultivadas.
Pierre Paslier ganhava a vida projetando embalagens plásticas para cosméticos. "Para mim, era como se eu alugasse o meu cérebro para um grande poluidor plástico."
Ele queria parar. Queria criar embalagens que viessem da natureza e desaparecessem na natureza rapidamente. Com um amigo da pós-graduação, Rodrigo García González, criou uma empresa chamada NotPla, abreviação de "not plastic".
Em um armazém no leste de Londres, projetaram um sachê comestível de água, feito de algas marinhas e outros extratos de plantas: para tomar a água, basta colocar o sachê na boca. Projetaram outro para ketchup e um terceiro para cosméticos.
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