
30/03/2023
O verde encontrou espaço para crescer entre as maiores empresas de telecomunicações do mundo. Nas discussões, o 5G aparece como potencial aliado climático.
Além de prometer maiores velocidades e qualidade na conexão, a quinta geração da telefonia vem com expectativa de ser menos poluente. A previsão da GSMA, entidade que congrega as teles, é que a modalidade saia dos atuais 12% das conexões globais para 54% em 2030.
"É a primeira tecnologia sem fio em que a eficiência energética foi considerada durante a criação dos padrões de indústria", diz relatório da organização.
O discurso verde atende também os interesses do setor: uma maior adoção da tecnologia é providencial para o bolso de quem a vende.
Uma das principais questões é energia. A alta nos preços de eletricidade fez crescer a preocupação com eficiência, já que representa de 20% a 40% dos custos com operações para empresas do setor.
"Trabalho nessa área há 50 anos e ninguém falava do custo de energia. Correspondia a 1% ou 2% da receita e era sempre isso. De repente, vimos essa alta. Nossos custos anuais foram de 1,2 bi de coroas suecas (R$ 600 mi) para mais de 2 bi (R$ 1 bi)", conta Alisson Kirkby, CEO da Telia, telecom sueco-finlandesa.
Cerca de 90% dessas despesas vêm da manutenção da rede de telefonia e o restante de outras partes da operação, como escritórios. Os dados são de relatório publicado no começo de março pela GSMA.
"Antes dessa crise [com pandemia de Covid-19 e Guerra da Ucrânia], eu não havia me dado conta do quanto as empresas de telecomunicações consomem energia. Não podemos apagar as luzes, levar as fábricas para outros lugares. Precisamos trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana", disse Margherita Della Valle, CEO do grupo Vodafone, uma das maiores operadoras do mundo, no Mobile World Congress (MWC), tradicional congresso focado no setor de telecomunicações.
No evento, que aconteceu de 27 de fevereiro a 2 de março, em Barcelona, a sustentabilidade foi destaque entre as palestras. O tema esteve em 36 das 158 sessões presenciais (23%) do evento, que incluem debates e palestras.
Nos estandes, as plantas foram o preto básico da decoração e dividiram espaço com apetrechos tecnológicos físicos, como braços robóticos e carro voador, e virtuais, como metaverso e demonstrações de serviços de inteligência artificial.
Um dos pontos apontados como positivos no 5G é a maior capacidade de tráfego de dados pela rede. A estimativa é de que uma mesma quantidade passando pela rede 5G necessite de 90% menos energia do que no 4G. O problema aí é que as informações transferidas devem triplicar até 2028. Ou seja, o consumo de eletricidade cai de um lado, mas aumenta do outro.
Parte dessa eficiência se deve a uma maior digitalização dos serviços, com soluções para deixá-los mais inteligentes.
Freddie Södergren, chefe de tecnologia e estratégia da Ericsson, que junto com Nokia e Huawei é uma principais fornecedoras de infraestrutura de telefonia do mundo, afirma que a modernização é uma forma de garantir essa eficiência maior, ao mesmo tempo que leva um serviço melhor para o usuário.
"Podemos fazer um modelo de tráfego para prever não só a capacidade das redes, mas também como vai ser a experiência de quem está conectado. Com isso, podemos, por exemplo, desligar capacidades, aplicativos, bandas de conexão, sem impactar quem está usando", diz Södergren. Em miúdos, é deixar parte dos equipamentos "dormindo" para poupar energia.
Carlos Lauria, executivo de relações governamentais da Huawei, cita também melhorias na arquitetura dos equipamentos em relação a gerações anteriores.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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