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Engenheiro cria “isopor” biodegradável com resíduos agrícolas

28/03/2023

Deixar um mundo melhor para as próximas gerações é um discurso que muita gente repete – e uma meta urgente se quisermos um futuro possível. Para o engenheiro Arpit Dhupar, que vive em Delhi, na Índia, esta motivação se tornou ainda mais forte quando ele viu que nos desenhos de seu sobrinho, o céu era sempre cinza.
O menino reproduzia o céu tomado pela fumaça gerada pela queima dos resíduos das plantações de arroz, muito comum na região. Para ajudar a resolver este problema, Arpit descobriu um novo destino possível para este material: a fabricação de um substituto para o isopor. Além de reaproveitar os resíduos, ele criou uma alternativa muito mais sustentável para embalagens e outros produtos.
O isopor tem características muito interessantes, como o isolamento térmico e acústico, absorção de choques, textura leve e versatilidade para os mais diversos usos. Por isso, se tornou muito popular e amplamente usado no mundo. Mas este é mais um material que tem um impacto devastador para o planeta.
O isopor é uma forma expandida de poliestireno e se enquadra na categoria de polímeros. Produzido e vendido em grandes quantidades e usado com uma enorme frequência, ele é muito difícil de ser reciclado ou reaproveitado e a sua queima libera gases tóxicos.
Apesar de ser reciclável, o processo é caro e a coleta complicada, já que os materiais recicláveis são vendidos por peso, não por volume. Como é um material extremamente leve, armazenar e transportar quantidades significativas de isopor é um desafio enorme. Sem um destino pós-consumo adequado, o ideal é que o isopor fosse substituído por outros materiais.
E uma boa alternativa é justamente o “isopor” de material biodegradável desenvolvido por Arpit Dhupar e comercializado pela Dharaksha Ecosolutions, empresa que o engenheiro indiano começou em 2019. O uso dos resíduos da colheita do arroz para fabricar este novo material resolve dois problemas: reaproveita o que seria incinerado e oferece uma alternativa sustentável a um material nocivo ao meio ambiente e à nossa saúde.
“Não devemos viver em um mundo onde temos que explicar para as crianças que o céu deve ser pintado de azul”, conta Dhupar. Com isso em mente ele tirou um período sabático para entender melhor a realidade da sua região. O engenheiro viajou para as aldeias de Punjab e Haryana e viu como e porque os restos da colheita de arroz eram queimados.
Por ser muito úmido, o material não poderia ser usado como combustível e, ao mesmo tempo, os agricultores precisavam limpar a sua terra o mais rápido possível. A incineração era a única opção que eles conheciam.
A mudança começou com Dhupar usando enfardadeiras para comprimir e empilhar os resíduos, o que ajudou a diminuir o problema dos agricultores. Depois, com a ajuda do amigo Anand Bodh, o engenheiro instalou sua fabrica para receber e dar um novo destino ao material.
A ideia inicial era usar cogumelos para degradar o material, mas observando este processo natural, Dhupar percebeu que o micélio, partir deste processo surgiu um material biodegradável semelhante ao isopor. Com os cogumelos crescendo nos resíduos de arroz, percebeu o micélio (uma rede de fibras finas que os cogumelos formam sob o solo) tinha a capacidade de aglutinar as palhas de arroz, formando uma estrutura resistente.
Dhupar percebeu que este novo material era semelhante ao isopor. O engenheiro passou então a estudar as necessidades do mercado e as possibilidades para o novo material, formado pelos cogumelos e resíduos da colheita de arroz. “O isopor é pior do que o plástico e é chocante o quão pouco se fala sobre esse material”, diz.

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