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Biodiversidade vertical: pesquisadores fazem descobertas sobre insetos que habitam copa das árvores na Amazônia

23/03/2023

Pequenos e muitas vezes imperceptíveis ao olhar humano, os insetos cumprem papel fundamental para os ecossistemas. O grupo mais biodiverso da natureza está na base da alimentação de outros animais, inclusive do homem.
Em alusão ao Dia Internacional das Florestas, celebrado nesta terça-feira (21), a Rede Amazônica destaca uma pesquisa que indica um longo caminho de descobertas a ser trilhado quando o assunto é a biodiversidade dos invertebrados que vivem no topo das árvores da floresta. Seres que cumprem funções imprescindíveis na natureza.
"Se eu explodisse uma bomba na Amazônia e essa bomba fosse capaz de matar só os insetos, estaria comprometendo a sobrevivência das demais espécies, inclusive a humana. Não teria mais o polinizador, por exemplo, para a castanheira, para a andiroba, para as fruteiras e, com isso, não teria também alimento para os peixes", exemplificou o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), José Albertino.
São mais frequentes pesquisas de campo sobre insetos serem realizadas próximas do solo ou em baixas altitudes. Porém, um grupo de cientistas resolveu fazer o mesmo experimento na copa das árvores no meio da Amazônia. Segundo o autor do trabalho, o entomólogo Dalton de Souza Amorim, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), da Universidade de São Paulo (USP), o resultado chamou a atenção até dos pesquisadores.
"A fauna de insetos de copa é igual a fauna de insetos no solo? Ou seja, se eu coletar no solo, estou pegando o que tem lá em cima também? E a resposta é não. 61% das espécies nunca apareceram na amostra do solo. O que o projeto mostra é a complexidade, não só em números impressionantes, como a complexidade da fauna e da flora", disse Dalton.
Para a coleta das amostras, o grupo instalou cinco armadilhas de interceptação de voo no mesmo eixo vertical na Estação Experimental de Silvicultura Tropical, do Inpa– uma torre de mais de 50 metros de altura em uma região de floresta delimitada para estudos científicos próxima de Manaus. A mais alta estava localizada a 32 metros do chão. A cada duas semanas as amostras eram retiradas das redes.
O processo inteiro durou pouco mais de um ano, e 38 mil exemplares de insetos foram contabilizados pelos pesquisadores só na primeira coleta. O mais surpreendente é que cerca de 90% das espécies coletadas ainda não são descritas pela ciência.
"Vamos coletar de novo durante 14 meses e pegaremos várias amostras e sequenciaremos todos os resultados. Deve dar 300 mil insetos sequenciados e envolver mais de 400 pesquisadores", explicou Dalton de Souza.
O objetivo dos pesquisadores nessa nova etapa é responder perguntas, como quantas espécies de insetos vivem em um único local da floresta e qual a porcentagem de espécies de cada ordem de insetos existe em uma fauna de floresta tropical.
Conforme o pesquisador do Inpa José Albertino, descobrir cada vez mais sobre a distribuição vertical dos insetos "vai possibilitar que se faça uma análise da real biodiversidade que existe na Amazônia".
Já segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, trabalhos como esse ilustram o quanto ainda se desconhece sobre a biodiversidade do bioma. E para que haja mais descobertas semelhantes, alerta para a necessidade de incentivo a novos trabalhos.
"Precisamos de fomento às pesquisas. Atualmente vemos que as árvores, que são organismos que não se movimentam e são grandes, temos descobertas de novas espécies até em regiões bastante estudadas", concluiu.

Fonte: g1

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