
16/03/2023
"A principal tarefa do Ibama, hoje, é combater um dos crimes que mais cresceram no Brasil: o desmatamento. A criminalidade ambiental cresceu demais e isso vai manchando a imagem do nosso país", disse o presidente do órgão, Rodrigo Agostinho, em evento em São Paulo. Ex-deputado federal, ele deixa a Câmara para, a partir de agora, lidar com um dos grandes desafios do novo governo, a retomada do órgão de preservação ambiental, esvaziado pela administração anterior.
Deputado por uma legislatura, entre fevereiro de 2019 e de 2023, Agostinho, que é fotógrafo e apaixonado por aves, se destacou pela defesa da causa ambiental, além de ter integrado a Frente Parlamentar de Apoio ao Setor de Games e Jogos Eletrônicos. Em palestra no Fórum Ambição 2030, promovido pelo Pacto Global da ONU, ele falou sobre a necessidade de articular o crescimento econômico com as florestas de pé.
"O Ibama vai trabalhar com comando e controle de maneira estratégica, mas é preciso da bioeconomia com a floresta em pé. É esse o ponto de virada que a gente precisa se quisermos, de fato, enfrentar as mudanças climáticas, e não fazer greenwashing", disse durante o evento.
Ecoa conversou com exclusividade com o presidente do órgão para entender um pouco mais sobre a atuação do Ibama nesses primeiros meses de governo Lula e quais os próximos passos para zerar o desmatamento no Brasil.
Ecoa - Qual tem sido a prioridade do órgão nesse começo de governo?
Rodrigo Agostinho - Muitos servidores que já estavam com idade para se aposentar estão se aposentando, o que acelerou a degradação do Ibama nos últimos quatro anos, além da militarização do órgão. Estou com 470 servidores com idade para se aposentar e, para o plano de combate ao desmatamento, existiam 1.700 fiscais. Hoje eu tenho 300. Nossa capacidade de trabalho caiu bastante, só que nós vamos tentar compensar isso, enquanto não são realizados novos concursos, com tecnologia. Vamos voltar a ser um órgão forte. Então, temos que recompor a nossa estrutura, fazer com que os processos de licenciamento ambiental sejam mais transparentes e dialogar com a sociedade.
Como proteger o Ibama para que desmontes como os que foram feitos em governos anteriores não se repitam mais?
Existe um projeto de emenda constitucional tramitando no Congresso que transforma o Ibama numa instituição de Estado. Assim, ele passaria a ter uma proteção um pouco maior, evitando essas mudanças importantes. Na prática, transformaria uma boa parte de cargos comissionados do órgão em cargos de carreira mais sólida.
Termine de ler a entrevista acessando o UOL
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