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Resgate para evitar atropelamentos de animais silvestres na Rio-Teresópolis

14/03/2023

Manhã do dia 24 de outubro, Rodovia Rio-Teresópolis,que corta a Serra dos Órgãos, na altura de Guapimirim, na Baixada Fluminense. Pouco após descer de uma árvore, uma preguiça é vista por motoristas em movimentos vagarosos em direção ao asfalto. Um aviso de que o animal corre perigo chega ao Centro de Controle de Operações da EcoRioMinas, concessionária que administra a estrada. Uma faixa de trânsito é isolada e o simpático bichinho é resgatado por uma equipe composta por uma veterinária e uma bióloga. Pouco depois, é devolvido, são e salvo, para a mata.
O resgate que salvou a preguiça de um atropelamento não foi um ato isolado. Por força de exigências do contrato de concessão da rodovia, a concessionária é obrigada a seguir normas de programa de proteção à fauna, que inclui o resgate de animais silvestres, na BR-116 (Rio-Teresópolis) e ainda na extensão da rodovia que liga o Rio até a cidade mineira de Governador Valadares. Entre os animais mais resgatados na estrada, nesta época do ano, estão gambás, capivaras, tatus e ouriços. O documento assinado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a concessionária, prevê ainda a construção de novas passagens exclusivas de animais sob a pista, como se fossem túneis, para evitar que os bichos sejam colhidos por veículos ao tentar atravessar a estrada de um lado para o outro.
Atualmente, existem cinco travessias de fauna deste tipo, monitoradas por câmeras (armadilhas fotográficas), no trecho que corta o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. A previsão é a de que outras 57 sejam construídas, entre o quarto e o oitavo ano de concessão. Deste total, dez novas passagens ficarão localizadas em trechos da estrada que cortam os municípios de Duque de Caxias, Magé, e Guapimirim, na Baixada Fluminense.
De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o Parque Nacional cortado pela estrada abriga, entre outras, mais de 400 espécies de aves, 105 de mamíferos, 103 de anfíbios, répteis e 130 espécies ameaçadas de extinção.
Enquanto todas melhorias não chegam, algumas baixas continuam ocorrendo. Só de setembro (quando a concessão teve início) ao final de dezembro de 2022, foram oito registros de afugentamentos ( quando os bichos são espantados ou levados para a mata sem necessidade de atendimento médico) ou resgate. Em 2023, foram outras nove ocorrências envolvendo as duas modalidades. A veterinária Raquel Junger e a bióloga Karina Serafim fazem parte das equipes contratadas por uma empresa terceirizada, que presta serviços ambientais (incluindo ações de resgate e atendimento veterinário) para a concessionária.
Em caso de animais silvestres feridos que precisam de cuidados, veterinários e biólogos os removem para clínicas conveniadas. Depois do atendimento, aqueles que se recuperam são devolvidos à natureza.
Quem não se recupera é levado para serem cuidados no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Seropédica, na Baixada Fluminense.
De acordo com a concessionária, o serviço de resgate a fauna funciona 24 horas e pode ser acionado pelo motorista por telefone através dos números de atendimento ao usuário 0800 116 0493 ou 0800 0116 0465 (deficientes auditivos). Entre os animais resgatados em janeiro e fevereiro, entre Duque de Caxias e Governador Valadares estão coruja, tapiti(espécie de coelho do mato ou lebre), tamanduá e até uma seriema.

Fonte: O Globo

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