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Ciclone Freddy, ativo há um mês, pode ser o mais longo já registrado

09/03/2023

Ativo há um mês, o ciclone tropical Freddy pode se tornar o mais duradouro já registrado, afirmou a OMM (Organização Meteorológica Mundial) nesta terça-feira (7).
A tempestade se desenvolveu há centenas de quilômetros da costa noroeste da Austrália e ganhou um nome em 6 de fevereiro. De lá para cá, atravessou todo o oceano Índico e atingiu a terra em Madagascar, no dia 21, e, três dias depois, em Moçambique.
Segundo a OMM, esse tipo de trajeto longo é muito raro. Os casos semelhantes mais recentes aconteceram em 2000 (que, como 2023, também foi um ano de La Niña) com os ciclones tropicais Leon-Eline e Hudah.
O órgão está monitorando se Freddy estabelecerá um novo recorde como o ciclone tropical mais duradouro. O recorde atual é do furacão John, que durou 31 dias em 1994.
De acordo com a Nasa, a tempestade já registrou o maior índice de energia de ciclone acumulada (ECA) na história do hemisfério sul. Essa medida é usada para quantificar o total de energia eólica associada a um ciclone tropical ao longo de sua vida útil.
O ciclone Freddy passou vários dias sobre Moçambique e Zimbábue, trazendo fortes chuvas e inundações. Em seguida, voltou para o mar, ganhou força novamente com a energia das águas quentes e se moveu em direção à costa sudoeste de Madagascar.
De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), as chuvas já deixaram pelo menos 21 mortos (10 em Moçambique e 11 em Madagascar).
Em Madagascar, mais de 3.100 pessoas foram desalojadas e mais de 3.300 casas foram inundadas ou destruídas, enquanto em Moçambique, que já vinha sofrendo com tempestades sazonais antes do ciclone, soma mais de 8.000 desalojados.
A OMM relata que, no momento, Freddy está se afastando de Madagascar e deve se intensificar à medida que volta na direção de Moçambique. Foi emitido alerta de fortes chuvas nas próximas 36 horas no sul de Madagascar.
Estimativas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos apontam que, nos últimos sete dias, partes do sul de Moçambique tiveram 500 mm de chuva, e no mês passado até 700 mm, bem acima da média anual. Madagascar recebeu mais de 300 mm nos últimos sete dias, ou cerca de três vezes a média para o mês.
O meteorologista Johan Stander, diretor de Serviços da OMM, ressalta que o número de mortos pelo ciclone foi limitado por previsões precisas, alertas precoces e ações coordenadas de redução do risco de desastres.

Fonte: Folha de S. Paulo

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