
07/03/2023
Para chegar às nuvens, é preciso queimar querosene, e bastante. Hoje, as empresas aéreas conseguem precisar quanto isso gera de poluição e, agora, convidam os passageiros a ajudar a pagar a conta para compensar isso.
Companhias como Gol, Qatar e United criaram programas para que os viajantes paguem um valor extra e, assim, ajudem a financiar formas de compensar as emissões geradas pelas viagens.
Um voo da Gol do aeroporto de Congonhas (SP) ao Santos Dumont (RJ), por exemplo, produz cinco toneladas de CO2. Dividindo isso entre os viajantes, dá algo em torno de 34 kg por passageiro, que podem ser compensados por R$ 2,78.
Em janeiro, a Gol lançou uma função em seu site para que os clientes possam pagar pela compensação na hora da compra da passagem, da mesma forma como se paga por uma mala extra. Antes, havia um caminho mais complicado para chegar a essa opção.
Segundo a empresa, de junho de 2021 a dezembro de 2022 foram neutralizadas 13.100 toneladas de CO2, por meio de compensação feitas por clientes e por outras ações. Isso equivaleria a preservar 1,8 milhão de árvores.
Na Air France-KLM, compensar as emissões de um voo de São Paulo a Paris sai em torno de R$ 145. A opção está disponível desde o ano passado.
O cálculo de quanto dinheiro custa para compensar as emissões se baseia em duas informações: de um lado, modelos matemáticos permitem estimar com cada vez mais precisão a quantidade de poluentes gerada por voo. Pode-se levar em conta o consumo em cada etapa da viagem, como o taxiamento na pista, a decolagem e o voo em altitude.
De outro lado, há um mercado de créditos de carbono. Em média, compensar uma tonelada de CO2 custa algo entre US$ 10 e US$ 20. (algo perto de R$ 52 e R$ 104). Dividindo esse valor entre os passageiros, e acrescentando eventuais gastos administrativos, chega-se ao preço cobrado, proporcional aos quilos de poluição gerados.
A ideia de compensação parece simples, mas há muitas questões. Geralmente, as empresas contratam outras instituições dedicadas a projetos ambientais para fazer ações como plantar árvores, recuperar florestas ou criar projetos de energia limpa.
A Qatar Airways, por exemplo, usa o dinheiro arrecadado dos passageiros para manter um parque de energia eólica na Índia, que evita a emissão de 210 mil toneladas de gases de efeito estufa por ano, segundo a empresa. Como essa produção de energia limpa substitui o uso de termelétricas, em tese se está deixando de produzir poluentes, o que gera uma compensação.
No entanto, há um debate se faz sentido usar estas verbas para financiar projetos que poderiam se pagar sozinhos.
"Hoje o preço da energia eólica e fotovoltaica [solar] caiu tanto que não precisa mais da ajuda dos créditos de carbono. Os projetos podem ser lucrativos por si só, e há certificadoras que não aceitam mais iniciativas dessa categoria", diz Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do Instituto Talanoa e especialista em créditos de carbono.
Para terminar de ler esta matéria acesse a Folha de S. Paulo
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