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Instituto tenta evitar vingança contra onças-pintadas no Pantanal

07/02/2023

Ser um bicho emblemático pode ter seu lado bom e outro não muito agradável. Onde habita a onça-pintada, como no Pantanal, todos os olhos estão a sua procura —apesar de não necessariamente ela querer dar as caras. Por sempre estar na cabeça e na imaginação local, o animal também acaba levando culpas que não são suas e, nos casos mais extremos, é abatido por vingança.
Um boi foi morto? Foi a onça. Sumiu bezerro? Onça. Um cachorro desapareceu? Onça.
Pode ter sido uma onça-pintada? Sem dúvida. Mas nem sempre.
"Todo aquele medo e respeito em relação à onça-pintada atrai a responsabilidade de qualquer coisa que acontece. Mesmo em áreas em que tem onça-parda (Puma concolor) e pintada (Panthera onca) sempre vão falar que foi a pintada que comeu", afirma Diego Viana, coordenador do Programa Felinos Pantaneiros, do IHP (Instituto Homem Pantaneiro).
Há momentos em que a pintada leva a culpa mesmo quando um não felino é o responsável, como em ataques de cobra.
Mas não é só a fama do bichano que causa confusão. O manejo de rebanhos sem os controles devidos tem papel importante nessas histórias, afirma o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.
Ele cita, por exemplo, o cuidado de, em época em que as vacas estão parindo, recolher o gado para locais onde haja cercas elétricas. "Historicamente, em fazendas muito grandes, o bezerro nascia no campo. O cara vai no dia seguinte, vê que nasceu um e morreu. [Acha que] É a onça", diz Rabelo.
O presidente do IHP dá o exemplo de uma fazenda que dizia ter perdido 300 cabeças de gado para a onça-pintada. "Eu falei: ‘deve ter mão de ladrão aí, né?´", conta.
Manejar animais no Pantanal não necessariamente é simples. Entre complicadores estão as grandes distâncias no bioma e, dependendo do tamanho da propriedade, o número de funcionários —principalmente para fazendas menores em que trabalham, basicamente, só membros de uma família.
Além disso, Viana afirma que a origem de quem comanda a fazenda também pode ter algum impacto nessa percepção. Não é incomum, diz, que grandes propriedades do Pantanal sejam compradas, atualmente, por grupos que não originalmente da região.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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