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Oito livros e filmes para entender o que acontece com os ianomâmis

31/01/2023

➀ "A queda do céu", de Davi Kopenawa e Bruce Albert
O livro é fruto de uma parceria entre Davi Kopenawa, um xamã versado no mundo dos brancos, e Bruce Albert, um etnógrafo com longa familiaridade com seus anfitriões. Em 1978, os dois descobriram que compartilhavam o compromisso com os ianomâmis o engajamento contra o garimpo dos brancos que exterminava a etnia. Em um momento especialmente dramático para o seu povo, com as terras ianomâmis sendo invadidas por milhares de garimpeiros e o desastre ecológico se intensificando, o xamã decidiu confiar-lhe algumas palavras em sua língua natal. Foram 100 horas de depoimento, gravados entre 1989 e 2001, que serviram de base para as mais de 700 páginas da obra, que teve enorme impacto na história da etnografia. Em maio deste ano, sairá um novo livro da dupla: "O espírito da floresta",

➁ "O desejo dos outros – Uma etnografia dos sonhos yanomami", de Hanna Limulja
Para os yanomami, o que se passa nos sonhos é tão importante quanto o que se vivencia desperto. A vida onírica é fonte de conhecimento (permite que os mitos continuem vivos) e dá lições de política. Essas foram algumas das descobertas da antropóloga Hanna Limulja.Ela afirma que o garimpo tem impedido os indígenas de sonhar.

➂ "A luta Yanomami", de Claudia Andujar
O catálogo da exposição homônima de Claudia Andujar eúne imagens do trabalho da fotógrafa dedicado aos ianomâmis, tomando aspectos pouco conhecidos de sua trajetória e da sua luta pela demarcação de terras indígenas, numa união entre arte e política. Andujar acompanha as atividades diárias na floresta e na maloca, os rituais xamânicos e o registro das festas reahu - as cerimônias funeráriasmarcadas por ritos específicos.

➃ “Línguas Yanomami no Brasil: diversidade e vitalidade”
Quando morre uma língua, morre também uma maneira de ser humano. Organizado por Helder Perri, Ana Maria Machado e Estevão Benfica Senra, o livro mostra que ameaça aos ianomâmis é também uma ameaça a uma complexa e rica linguística. Os pesquisadores identificaram 16 grandes falares ianomâmis no território brasileiro, reforçando a importância de sua proteção. Com o crescente contato do povo com a língua portuguesa, a avaliação dos autores é que as novas gerações não estão “totalmente preparadas para lidar com os vetores de pressão que se apresentam para as próximas décadas”.

➄ "Ideias para adiar o fim do mundo", de Aílton Krenak
Filósofo originário e líder indígena Aílton Krenak critica a separação homem-natureza, que estaria, segundo ele, na origem da atual destruição ambiental. Aprender com os indígenas que os humanos não são superiores aos demais seres na terra é a chave para adiar a catástrofe climática que se anuncia. "Nosso tempo é especialista em produzir ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar", escreve ele, em referência ao extermínio dos povos - mas também das ideias e culturas - indígenas.

➅ "A última floresta", de Luiz Bolognesi
O longa incorpora a mitologia e os costumes ianomâmis para denunciar os efeitos devastadores do garimpo legal. Vencedor do prêmio Platino 2022 de melhor documentário.

➆ "Thuë pihi kuuwi – Uma mulher pensando", de Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami
Uma mulher ianomâmi observa um xamã durante o preparo da Yãkoana, o rapé ritualístico que alimenta os espíritos e inicia o indígena no conhecimento xamânico de seu povo. A partir da narrativa de uma jovem mulher indígena, a Yãkoana que alimenta os Xapiri e permite aos xamãs adentrarem o mundo dos espíritos também propõe um encontro de perspectivas e imaginações. A obra é um mergulho na relação de um xamã com o yãkona e de um povo com sua riqueza intelectual.

➇ "Xapiri", de Leandro Lima, Gisela Motta, Laymert Garcia dos Santos, Stella Senra e Bruce Albert
O filme reproduz o universo visual e conceitual do xamanismo ianomâmi a partir dos encontros de xamãs na aldeia Watoriki, Amazonas. Com imagens digitais e simulações tecnológicas, tenta tornar sensível ideias sobre as imagens xamânicas (utupë), sua ontologia e sua estética, sua transdução e mutabilidade nos corpos.

Fonte: O Globo

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