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Pesquisadores brasileiros criam nova forma de analisar poluição por microplástico

19/01/2023

Considerada um dos desafios ambientais de crescimento mais rápido no mundo, a poluição por plásticos entrou com mais força na agenda científica na última década. Essas pesquisas avançaram, mas ainda enfrentam uma série de desafios, como a comparabilidade de resultados, principalmente quando se trata de microplásticos.
Não há, por exemplo, uma padronização metodológica para coleta e análise das amostras. A maioria dos estudos traz conclusões com base no número de partículas como se fossem ambientalmente equivalentes, independentemente de seu tamanho, volume, massa ou área de superfície. Visando contribuir com o avanço desse debate, um trio de pesquisadores brasileiros publicou um artigo na revista Environmental Science and Pollution Research propondo um novo olhar.
Usando uma abordagem teórica, os cientistas defendem que a inclusão desses atributos morfológicos nos itens analisados pode revelar diferenças significativas nas apurações das amostras de microplásticos. Inicialmente vistas como equivalentes, pelo número de partículas, elas seriam, na verdade, diferentes em tamanho ou volume, causando impactos e poluição de formas diversas ao meio ambiente.
Os microplásticos (MPs) são polímeros artificiais entre 0,001 e 5 milímetros de comprimento (ou entre 1 e 5 mil micrômetros – μm) encontrados em todos os tipos de ambientes. No Brasil, ainda há poucos estudos publicados sobre poluição por MPs, especialmente em áreas aquáticas continentais.
“A maior parte dos trabalhos sobre microplásticos reporta o número de partículas pela unidade da amostra adotada, podendo ser volume, em caso de água; massa, quando a análise envolve solo e sedimento; ou indivíduo, ao tratar de biota. Trabalhamos com microplásticos em laboratório há alguns anos e vimos que o tamanho é importante sim e faz diferença. Passamos a medir o tamanho das partículas das nossas amostras. Detectamos que havia algumas amostras com número parecido de partículas de MPs, mas, como os tamanhos dessas partículas eram bastante variáveis entre si, percebemos que tais amostras tinham níveis de poluição plástica bastante diferentes ao estimar a massa e o volume dos MPs”, explica à Agência FAPESP o professor do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Décio Semensatto, autor correspondente do artigo. Ele assina o trabalho juntamente com a professora Geórgia Labuto e com Cristiano Gerolin, ambos da Unifesp.
O pesquisador diz que seu grupo está finalizando um artigo sobre a represa de Guarapiranga, um reservatório para abastecimento de água na divisa entre os municípios de São Paulo, Itapecerica da Serra e Embu-Guaçu. “Coletamos amostras nas estações chuvosa e de seca. Percebemos que uma estação tem mais plástico do que outra em número de partículas, mas a diferença é ainda maior quando avaliamos a massa e o volume total de plástico em cada amostra. Usar apenas o parâmetro do número de partículas é expressar uma dimensão restrita dessa questão e ignorar que partículas de tamanhos diferentes provocam efeitos também diversos nos ecossistemas”, afirma.
Semensatto recebe apoio da FAPESP por meio do projeto Microplásticos em água e sedimentos no estuário do Rio Amazonas, no qual os cientistas estão abordando a presença de MPs no baixo estuário do rio e o papel deles como vetores de metais em ambientes aquáticos. Estão sendo analisadas 52 amostras de água e 12 de sedimento, coletadas entre dezembro de 2021 e julho de 2022 nos arredores de Macapá (AP).
No artigo agora publicado, os pesquisadores utilizaram sete amostras com cem partículas de microplásticos, o que as tornariam equivalentes, ou seja, no mesmo nível de poluição. No entanto, ao fazer as comparações, apontam as diferenças.

A matéria completa pode ser lida no CicloVivo

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