UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Estudo desvenda a história da Floresta da Tijuca e traz lições que contribuem para a restauração da Mata Atlântica

17/01/2023

Na trilha da Cachoeira das Almas, na Floresta da Tijuca, as árvores revelam segredos que contribuem para preservar as matas do Brasil. São cedros centenários, testemunhas da mais antiga e bem-sucedida restauração florestal do país. Foram identificados pela tese de doutorado do professor do Departamento de Biologia da PUC-Rio Gabriel Sales, trabalho que aponta acertos e falhas na restauração de florestas tropicais, essenciais para produzir água e combater mudanças climáticas.
Chamada “A história contada a partir das árvores: um ensaio sobre o plantio da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX”, a tese identificou as áreas plantadas. E trouxe surpresas, como o fato de que só área equivalente a 8% do atual Parque Nacional da Tijuca (PNT) foi plantada: o restante se regenerou por obra da própria Mata Atlântica, destaca Sales.
Ele combinou o levantamento de arquivos com a análise do que chama de documentos vivos, árvores datadas em laboratório, como os cedros das Almas. Por meio de cruzamento de dados, chegou aos plantios originais do major Manoel Gomes Archer (1821-1907). Cafeicultor (o título de major era honorífico), Archer se tornou o primeiro e mais obstinado administrador da floresta, plantando o núcleo da mata que se vê hoje.
A floresta foi oficialmente criada pela Portaria de 11 de dezembro de 1861, e Sales investigou o período até 1894, que compreende as três primeiras e mais importantes décadas de restauração.
Símbolo mundial de florestas urbanas, a Floresta da Tijuca é a mãe de todas as restaurações. Orientadora da tese, a pesquisadora Rejan Guedes-Bruni destaca que a Tijuca é a prova de que destruir é fácil, mas restaurar a biodiversidade — uma das questões mais urgentes do mundo, segundo relatório “Riscos Globais 2023”, do Fórum Econômico Mundial — é missão de longo prazo. A seguir os principais pontos do estudo:
➤ Trabalho
Em 33 anos foram plantadas mais de 155 mil árvores, das quais cerca de 110 mil se estabeleceram. A área plantada foi de 330 hectares, cerca de 8% do PNT.
➤ Documentos Vivos
A tese identificou sete árvores que são documentos vivos porque estão em locais relatados, plantadas da forma como se determinava, são nativas e tiveram a idade comprovada em laboratório. São cinco cedros, uma copaíba e uma mirindiba.
➤ Receita
O que fizeram se aproxima de conceitos mais modernos de restauração. Archer e os demais foram revolucionários, diz Guedes-Bruni. Protegeram a floresta, pararam de desmatar, não botaram gado e plantaram áreas núcleo.
➤ Êxito
A floresta se estabeleceu e ajuda a regular a temperatura, evitar deslizamentos e protege nascentes.
➤ Diversidade
Archer e seus sucessores plantaram 107 espécies, das quais nove exóticas. Mas uma dessas, a jaqueira, virou praga e compete com as nativas.
➤ Mão humana
A Mata Atlântica se caracteriza por numerosas espécies e poucos indivíduos. Mas na Floresta da Tijuca muitos indivíduos de uma mesma espécie foram plantados em fileira. Árvores como carne-de-vaca (o nome alude ao cheiro de carne fresca de sua madeira), jabuticabeiras e juçaras são comuns.
➤ Complexidade
Restaurar é complexo. É preciso buscar variabilidade. Archer e seus colaboradores sabiam disso. Criaram bancos de sementes coletadas na Pedra Branca e outros lugares, além de viveiros de mudas.
➤ Cor
Quando se fala em floresta, se pensa em árvores, mas plantas do sub-bosque são essenciais. Temos pálida ideia da mata original, pois a maioria das cores da floresta atlântica vem de plantas menores. Perdemos as cores da floresta, e restauração não é silvicultura, diz Bruni.
➤ Renovação
A floresta está em constante renovação, a mata que Archer fez crescer não é a atual, mas algumas das árvores originais estão vivas.
➤ Construção
A floresta é uma obra em aberto. E é uma floresta vazia. Há trabalhos de refaunação, mas, para que os animais se estabeleçam, precisa existir equilíbrio de elementos como plantas, solo, fungos e micro-organismos. A floresta se reconstrói e, por isso, é fundamental protegê-la, impedir caça, invasões, que ainda acontecem.
➤ Desafio
Restaurar não é revegetar ou reflorestar, é recuperar a funcionalidade. Estudar a Floresta da Tijuca é aprender o que funciona e o que precisa mudar, salienta Guedes-Bruni.

Fonte: O Globo

Novidades

Dragão-de-komodo? Lagarto de grandes proporções é flagrado caminhando pela areia da Praia da Barra; veja vídeo

08/10/2026

Por alguns instantes, quem viu o animal ao vivo ou assistiu ao vídeo que relatava sua presença na Pr...

Jacareí vai plantar mil árvores com ajuda de moradores

08/10/2026

Mais de 1.000 plantios para embelezar e refrescar a cidade. É o que os moradores de Jacareí podem es...

País tem 30 milhões de crianças sob risco climático e El Niño forte pode agravar cenário, alerta Unicef

08/10/2026

Mais de 30 milhões de crianças estão expostas a dois ou mais riscos climáticos no Brasil, segundo an...

Seca e calor extremos do último El Niño antecipam ´novo normal´ nas florestas tropicais

08/10/2026

Cerca de 75% das áreas das florestas tropicais do mundo enfrentaram pelo menos seis meses de seca e ...

A embalagem flexível é vilã ou aliada da sustentabilidade?

08/10/2026

A leveza que torna o material eficiente na fábrica é a mesma que o faz perder valor na cooperativa. ...

Ambulância solar leva atendimento a áreas remotas do Quênia

08/10/2026

Em regiões rurais do Quênia, chegar a um hospital pode ser um desafio que começa muito antes de uma ...