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Colapso da calota de gelo da Antártica ainda pode ser evitado, dizem cientistas

17/01/2023

O colapso da calota polar na parte ocidental da Antártica, que poderia causar um aumento catastrófico do nível do mar, não é "inevitável", segundo um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Nature Communications.
Os cientistas observaram desde o início dos anos 1990 uma aceleração do degelo nesta área da Antártica devido às mudanças climáticas. O temor é que esse fenômeno chegue a um ponto irreversível, além da evolução do clima.
Com base em dados de satélite e terrestre, a taxa e a extensão do fenômeno ao longo da costa oeste da Antártica, particularmente na instável geleira Thwaites (ao largo do mar de Amundsen), variam dependendo dos diferentes microclimas locais.
— O colapso da calota glacial não é inevitável —, garantiu Eric Steig, professor da universidade de Washington em Seattle.
— Depende de como o clima mudará nas próximas décadas, uma mudança que podemos influenciar positivamente reduzindo as emissões de gases de efeito estufa —, acrescentou.
Nessas regiões o vento costuma soprar do oeste, o que traz águas mais quentes e salgadas, favorecendo o degelo. Contudo, a intensidade desses ventos foi mais fraca no mar de Amundsen durante o período de observação, em comparação com a situação no mar de Bellingshausen.
Tanto a região polar antártica quanto a ártica registraram um aumento de sua temperatura média em 3ºC em relação aos níveis do final do século XIX, o que representa quase o triplo da média mundial. Os cientistas temem que as geleiras de Twhaites e de Pine Island já estejam nesse "ponto sem volta".
— Acho que temos que viver e fazer nosso planejamento costeiro sob a suposição de que a calota de gelo da Antártica Ocidental é instável e vamos experimentar um aumento de 3,5 metros no nível do mar —, disse Anders Levermann, climatologista do Instituto Potsdam, na Alemanha.
O especialista elogiou o estudo, realizado a partir de diversas fontes, embora o período analisado seja apenas "um piscar de olhos em termos glaciais".

Fonte: O Globo

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