
12/01/2023
A polícia alemã iniciou na quarta-feira (11) a retirada de manifestantes acampados no vilarejo de Lützerath, numa região rural no oeste da Alemanha. A localidade se tornou um ímã de ativistas do clima e símbolo da luta por um futuro menos poluente.
A gigante de energia RWE tem a intenção de destruir Lützerath para extrair linhito, um tipo de carvão mineral localizado embaixo do vilarejo.
As atividades de mineração deverão ser retomadas nos próximos meses para atender à demanda energética ligada à crise de abastecimento que atingiu a Alemanha após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Estima-se que a evacuação do vilarejo dure dias ou até semanas.
No último fim de semana, a DW acompanhou uma passeata de milhares de manifestantes em Lützerath, que segundo a polícia reuniu 2 mil pessoas, enquanto a reportagem estimou entre 5 mil e 7 mil participantes.
Lützerath está ocupada por cerca de mil manifestantes desde 2020, quando surgiram planos para demolir o vilarejo e desenterrar o linhito debaixo dele. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, cerca de 300 cidades na Alemanha foram demolidas para a mineração de linhito, levando ao reassentamento de mais de 120 mil pessoas.
Nos últimos anos, além dos ativistas apenas um fazendeiro e alguns inquilinos ainda viviam em Lützerath. Eckart Heukamp, o fazendeiro, vendeu sua parcela à RWE e deixou a localidade há algumas semanas.
Uma visita ao vilarejo revela pouco mais do que uma estrada principal e uma dúzia de antigas casas rurais de tijolos, cobertas por pichações de protesto.
Espalhadas entre as árvores altas, pequenas casas construídas à mão pelos ativistas em plataformas elevadas de madeira pairam sobre os visitantes em todas as direções. Fora de vista, a 200 metros de distância, está Garzweiler 2, a mina de carvão a céu aberto mais controversa da Europa.
A mina se assemelha a uma paisagem lunar surreal. Há décadas, escavadeiras gigantescas extraem carvão numa área de 80 quilômetros quadrados. Mais de 20 vilarejos da região foram destruídos para dar lugar à mineração.
Mas não se trata apenas de salvar a cidade, afirmam as pessoas que se opõem à demolição. Trata-se de manter o carvão no solo. Globalmente, o carvão ainda é a maior fonte de geração de eletricidade, bem como a maior fonte de dióxido de carbono. Em 2021, cerca de 30% da eletricidade da Alemanha foi gerada pela queima de carvão.
A Alemanha pretende se tornar neutra em carbono até 2045. Em 2020, o país anunciou que pararia de queimar esse vilão do clima, gradualmente desativando suas usinas movidas a carvão até 2038.
Mas as tentativas de salvar Lützerath ficaram mais complicadas depois da invasão da Ucrânia pela Rússia e a consequente crise de abastecimento de energia na Europa.
Saiba mais terminando de ler a matéria no g1
Dragão-de-komodo? Lagarto de grandes proporções é flagrado caminhando pela areia da Praia da Barra; veja vídeo
08/10/2026
Jacareí vai plantar mil árvores com ajuda de moradores
08/10/2026
País tem 30 milhões de crianças sob risco climático e El Niño forte pode agravar cenário, alerta Unicef
08/10/2026
Seca e calor extremos do último El Niño antecipam ´novo normal´ nas florestas tropicais
08/10/2026
A embalagem flexível é vilã ou aliada da sustentabilidade?
08/10/2026
Ambulância solar leva atendimento a áreas remotas do Quênia
08/10/2026
