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Animais que assustaram banhistas em praia de Arraial do Cabo são baleias de rara aparição no Rio

05/01/2023

As três baleias que assustaram banhistas no último sábado na Prainha, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, ao serem confundidas com tubarões, são de espécies de rara aparição no estado do Rio. Segundo a prefeitura do município, especialistas que analisaram as imagens apontam que os animais se tratam de cachalote-anão ou cachalote-pigmeu. Um oceanógrafo ouvido pelo Globo explica as características das duas espécies e o motivo pelo qual as manchas vermelhas que circundaram os animais foram confundidas com sangue.
Oceanógrafo e coordenador do laboratório de mamíferos aquáticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), José Lailson afirma que as espécies cachalote-anão e cachalote-pigmeu não costumam aparecer na região costeira do estado do Rio e que, ao se sentirem ameaçadas, soltam um líquido avermelhado para se camuflar.
— As duas espécies já foram registradas pelo estado anteriormente, mas não são comuns, principalmente de encalhe. São animais oceânicos, animais que vivem na quebra da plataforma continental para fora. Essas baleias são grandes mergulhadoras, se alimentam principalmente de cefalópodes de profundidades mais altas. É comum que mergulhem profundidades de 200 a mil metros para se alimentarem — explica.
Tanto a cachalote-anão, que pode chegar a 2,7 metros, quanto a cachalote-pigmeu, que pode crescer até 3,5 metros, pertencem à mesma família e possuem bolsas com um líquido de tom avermelhado na região do intestino. Quando ameaçadas ou estressadas, como no caso em que foram vistas em Arraial, as baleias liberam esse líquido, que pode ser confundido com sangue pela sua cor.
Segundo Lailson, as características geográficas de Arraial do Cabo podem ser a razão para o encalhe dos animais na Prainha:
— A região de Cabo Frio e Arraial é uma proeminência da área costeira em direção ao oceano aberto, então encontramos animais mais próximos da costa. As águas mais frias afloram e adubam a camada superficial do oceano. Isso faz com que se tenha mais peixes, que servem de alimento para os cetáceos.
Apesar das características da região, o oceanógrafo aponta que outras regiões do país têm maior número de registro de encalhe das duas espécies de animais.
— No Brasil, o que a gente vê é que a kogia sima (cachalote-anão) ela ocorre em maior número de encalhes do Espírito Santo para cima. Dali pra baixo, a kogia breviceps (cachalote-pigmeu) ocorre com maior frequência, com maior número de encalhes. Esse é o perfil que a gente tem. Mas é importante ressaltar que elas são espécies oceânicas. Já foram vistas aqui no Rio, mas não é algo frequente. E aquele encalhe é estranho, os animais aparentemente aparecem se debatendo com muito vigor. Não sei se estavam doentes ou não, mas é um evento estranho — diz José Lailson.
Maycon Victorino, presidente da Fundação municipal de Meio Ambiente de Arraial do Cabo, afirma que o líquido excretado pelas baleias pode ser nocivo para o ser humano e reforça o pedido para que, em caso de encalhe de animais, banhistas não se aproximem:
— É necessário que acionem e esperem que especialistas cheguem ao local. No caso deste fim de semana, para a sorte, ninguém se machucou e os animais foram devolvidos ao mar.

Fonte: Jornal Extra

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