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Comuna mais pobre de Santiago vira modelo de reciclagem no Chile

05/01/2023

Todas as manhãs, caminhões passam pela comuna de La Pintana, em Santiago, no Chile, e recolhem cascas de batata, abacate e laranja, que os moradores classificam, embalam e penduram em suas portas, árvores ou colocam em frascos para reciclagem. A localidade se tornou um modelo no país que gera a maior quantidade de lixo na América do Sul e recicla apenas 0,8%. A ministra chilena do Meio Ambiente, Maisa Rojas, anunciou um projeto de lei para repetir o modelo no resto do país.
Os vegetais representam 50% do lixo produzido por cada família de La Pintana, onde 15,3% de seus quase 190 mil habitantes vivem na pobreza, a porcentagem mais alta da capital chilena segundo dados oficiais.
— Agora as pessoas coletam mais vegetais, se entusiasmam mais —, diz à AFP Escarlett Irles, coletora do caminhão 512, um dos quatro que percorrem o bairro.
Coleta de lixo orgânico impulsionou melhora no país que gera a maior quantidade de lixo na América do Sul
— Houve uma mudança nas pessoas porque se preocupam em reciclar e já não mistura o orgânico com o lixo (comum) —, afirma ao seu lado José Vera, proprietário de um pequeno armazém de verduras.
Depois de atravessar a comuna, os catadores depositam os resíduos em usinas de floriculturas e de compostagem, onde são gerados os adubos utilizados na horta municipal. Neste local, erguido sobre um antigo lixão, são cultivadas a cada ano 100 mil plantas de 400 diferentes espécies, que estão mudando a paisagem da comuna, que possui uma das menores porcentagens de áreas verdes por habitante em Santiago.
— Este trabalho nos dá riqueza, nos dá alegria. A comuna está melhorando com os jardins —, afirma Jeannette González, funcionária municipal, depois de plantar várias flores perto de um ginásio comunitário.
La Pintana foi uma das primeiras comunas de Santiago a coletar o lixo orgânico de seus habitantes. Em termos de geração de lixo, o Chile está em primeiro lugar na América do Sul, segundo o Banco Mundial, enquanto em termos de reciclagem, o país está bem abaixo da média na América Latina de 4%, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Graças a este projeto, La Pintana recicla cerca de 20 toneladas por dia e economiza cerca de 100 mil dólares por ano, que posteriormente são reinvestidos na comunidade.
— Este é um círculo virtuoso; as pessoas veem onde havia um lixão um local com vegetação e que tudo está florescendo e param de jogar lixo naquele lugar —, afirma a prefeita da comuna, Claudia Pizarro.
Os vegetais não são os únicos que recebem uma segunda chance neste bairro. Mais da metade dos trabalhares da horta são pessoas que tiveram penas de prisão convertidas em trabalho comunitário.

Fonte: O Globo

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