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Ondas de calor na Espanha tornaram 2022 o ano mais quente que o país já viveu

03/01/2023

O ano de 2022 foi o mais quente na Espanha desde que o país começou a registrar as temperaturas médias, afirmou nesta segunda-feira (2) o principal órgão meteorológico espanhol.
O aquecimento global faz as temperaturas subirem em todo o mundo, e a Espanha registrou média de 15,5°C, batendo o recorde que era de 2016 e fazendo de 2022 o ano mais quente da série histórica.
Segundo dados da Agência Estatal de Meteorologia (Aemet), trata-se da primeira vez que a temperatura média anual superou a marca dos 15°C. Em 1916, primeiro ano das medições, a média era de pouco mais de 12,5°C. Ainda de acordo com a Aemet, até 2011 a Espanha nem sequer tinha ultrapassado os 14,5°C, mas, desde então, as temperaturas médias já o fizeram cinco vezes.
Relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 2021 apontou que a frequência de eventos climáticos extremos se multiplicou por cinco em 50 anos. O mais recente foi a onda de frio na América do Norte, que deixou grandes áreas de EUA e Canadá sob grossas camadas de neve e mais de 60 mortes.
Entre maio e outubro de 2022, a Espanha viveu o outro extremo. Ondas de calor em série provocaram temperaturas escaldantes, grandes secas, incêndios florestais, danos a plantações e restrições no uso da água. Em algumas regiões do país, os termômetros registraram mais de 40°C.
Em relatório publicado em dezembro, a Aemet afirmou que, com exceção de março e abril, todos os meses de 2022 na Espanha foram "mais quentes que o normal, especialmente maio, julho e outubro".
A ausência de chuvas quase bateu um recorde histórico. O país registrou um de seus anos mais secos em 2022, com apenas 2005 e 2017 tendo recebido menos precipitação, afirmou a agência. Dados da pasta do Meio Ambiente espanhol apontam que os reservatórios do país fecharam o ano com 43% da capacidade —a média dos últimos dez anos é de 53%.
Barcelona e outras áreas da região nordeste da Catalunha impuseram restrições de água devido à falta de chuva. Está proibido, por exemplo, usar água potável para lavar quintais e carros e para encher piscinas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que Espanha e Alemanha foram os países mais afetados pelo calor extremo, que provocou, segundo a entidade, ao menos 15 mil mortes na Europa. O calor pode matar induzindo uma insolação, que causa danos em órgãos como rins e cérebro, mas também pode desencadear outros problemas letais, como ataques cardíacos ou problemas respiratórios.

Fonte: Folha de S. Paulo

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