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Trilha de longa distância vai unir reservas ecológicas da Baixada ao município de Cachoeiras de Macacu

15/12/2022

Na Baixada Fluminense, um paraíso conservado é refúgio de Mata Atlântica reflorestada e rios limpos. O Sinal do Vale — Sinal é a abreviação de Sincronicidade, Inovação e Alegria — fica no bairro Santo Antônio, em Duque de Caxias. É um dos trechos da chamada Baixada Verde, que abriga fontes da água que abastecem a Região Metropolitana do Rio e um terço da vegetação nativa da região. E a partir de 2023, esse recanto da natureza vai se conectar a outro espaço preservado, no município de Cachoeiras de Macacu, por uma trilha com mais de cem quilômetros de extensão.
O Caminho do Recôncavo da Guanabara, como foi batizado o percurso de longa distância, já teve seus primeiros 50 quilômetros sinalizados e demarcados — vai até a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) El Nagual, em Magé. A segunda metade do trajeto ecológico irá até a Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu, e deve ficar pronta até o fim do ano que vem.
— O Eraldo Kalloch (cofundador da El Nagual) e eu alimentávamos essa ideia de ter um corredor que ligasse os nossos centros e o do Guapiaçu. Em 2019, a gente começou a fazer parte de uma rede de centros de regeneração de ecossistemas. O movimento Viva Água, da Fundação Boticário, também estava em contato conosco para articular atores locais pensando em projetos que garantissem a segurança hídrica dessa biorregião. Então, sugeri que fizéssemos a trilha, e eles toparam — conta Thais Corral, fundadora da ONG Sinal do Vale. — Com consciência, podemos investir a nossa vida em algo que faça diferença para a gente e para o mundo.
O projeto busca atrair turismo de base comunitária, gerando renda e fortalecendo a economia local de forma sustentável. A ideia é oferecer ao público produtos agroecológicos e serviços turísticos como camping, hospedagens, restaurantes, percursos guiados e artesanato.
No Sinal do Vale, há acomodação para grupos sob agendamento prévio, em casas distribuídas ao longo da propriedade. Em torno dos chalés se multiplicam árvores, arbustos de hortênsias, roseiras e outros tipos de flor. À esquerda da entrada, uma cachoeira forma a piscina natural de água doce, vinda de uma das 13 nascentes de rios que descem da serra e chegam até a Baía de Guanabara.
O percurso inicial do Caminho do Recôncavo da Guanabara fica no Morro do Rio, a parte mais alta do Sinal do Vale. O ponto é alcançado por uma pequena trilha de visual exuberante, protegida por bambuzais, palmeiras, mangueiras e espécies endêmicas de Mata Atlântica. O trajeto não oferece dificuldades para trilheiros iniciantes.
No topo do Morro do Rio, mesmo em um dia nublado, é possível observar, a 40 quilômetros de distância, marcos como o Pão de Açúcar, o Corcovado e a Ponte Rio-Niterói. Também dá para ver a Baía de Guanabara de ponta a ponta, e a Baixada Fluminense, além de parte das montanhas da Região Serrana e do Parque Nacional Serra dos Órgãos.
A trilha segue pela estrada colonial da Taquara, com o clássico calçamento de pé de moleque, passando por Fragoso, Raiz da Serra e Pau Grande, distrito de Magé, onde a parada obrigatória é o pastel com caldo de cana da Kombi de uma das filhas do jogador Garrincha, mais ilustre morador local. A partir dali, mais alguns quilômetros levam à RPPN El Nagual.
O Caminho do Recôncavo da Guanabara saiu do papel graças a um grande esforço coletivo. Consultor ambiental voluntário, o montanhista Chico Schnoor explica que, antes mesmo da legalização junto a órgãos ambientais, o primeiro passo para a criação de uma trilha é assegurar o apoio da comunidade local e das entidades de montanhismo.
— Foi uma construção comunitária. Nós fizemos articulação com moradores, pequenos proprietários, guias e pessoas que já conheciam o caminho por onde iríamos passar — explica Schnoor.
Com o trabalho, já foram mapeados 54 quilômetros de mata com cachoeiras, ruínas, mirantes e lugares na Baixada Fluminense.
— A Baixada é injustamente marcada pelos estigmas de pobreza e violência, mas tem muitas riquezas naturais que merecem ser valorizadas — acrescenta o montanhista.
Thais Corral, a criadora do Sinal do Vale, resume:
— Trabalhamos da e para a Mata Atlântica.

Fonte: Extra Online

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