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Primeiro cinema abastecido por energia solar de SP abre as portas no shopping Continental

15/12/2022

O Cine A até pode aparentar ser mais um cinema como qualquer outro de São Paulo, mas há uma coisa que só ele tem: funciona com energia solar produzida no próprio local. Inaugurado em 26 de novembro no Continental Shopping, no Jaguaré, zona oeste da capital paulista, o endereço afirma ser o primeiro autossuficiente da cidade.
Ela é também a primeira unidade da rede Cine A na capital paulista —a empresa mineira tem salas espalhadas em seis estados, mas a autonomia energética é uma característica de apenas dois de seus 22 cinemas.
Como a novidade não fica aparente para os leigos, o cinema faz questão de comunicar aos espectadores que estão em uma sala alimentada por painéis solares. Um vídeo apresenta a extensa usina de energia renovável instalada pela Cine A sobre o shopping antes do início das sessões nas salas do Continental.
Não há o risco de nenhuma projeção ser interrompida, mesmo em temporadas nubladas em dias de produção fotovoltaica insuficiente. Nestes casos, o cinema usa a mesma fonte de energia elétrica que abastece as lojas e restaurantes do shopping.
O atendimento segue a mesma proposta de combinar tecnologia e autossuficiência. Ali, o cliente escolhe filme, poltrona e forma de pagamento em um dos seis totens de autoatendimento disponíveis. Na bonbonnière o serviço é tradicional —beliscos para acompanhar a sessão, como pipoca, refrigerante e doces, são solicitados e pagos a funcionários.
Ao entrar em qualquer sala da Cine A em São Paulo, o público sente algo diferente. É o piso, que tem um revestimento acolchoado abaixo do carpete. A escolha foi feita por Renan Brittis, gestor comercial da rede de cinemas, de propriedade de seu pai, Silvio Gutierris Brittis. Segundo Renan, a ideia é que o cliente sinta que aquele é um espaço feito para relaxar.
Uma pequena cinéfila, Lavínia Gomes da Silva Santos, de 8 anos, notou o artefato. Ela assistiu a uma sessão de "Mundo Estranho" na última quinta-feira, dia 1º, uma semana após a inauguração do espaço. Ao final do filme, ela se empolgou e deitou na rampa de saída da sala para rolar pelo carpete. Terminou a acrobacia com um sorriso no rosto, em sinal de aprovação do revestimento.
O Cine A dispõe de cinco salas: três comuns —como a da sessão da menina—, uma VIP e uma com o Dolby Atmos, eleito melhor sistema de som nos cinemas pelo Guia. Nesta última, dezenas de caixas de som são distribuídas por toda sala, inclusive no teto, proporcionando uma imersão sonora para o público.
Na sala VIP, por sua vez, as poltronas se dividem de duas em duas e o braço entre elas pode ser levantado, uma opção para os casais que quiserem curtir a sessão abraçados. Ali, a atração é mesmo o conforto e não a tecnologia, já que sistema de som é o convencional.
Logo a sala VIP também terá opções exclusivas no cardápio. O menu será servido pelo restaurante temático ao lado do estabelecimento, de propriedade dos Brittis e ain. O negócio ainda não tem nome, mas a inspiração tanto para os pratos quanto para as decorações é o espaço sideral. Apesar da colaboração, a atuação dos dois estabelecimentos é independente, ligada apenas pelo serviço na sala VIP e pelo abastecimento de energia solar.
Além disso, a rede também foi cuidadosa com as projeções, transmitidas com tecnologias a laser e 4k em todas as salas para garantir maior nitidez.
Para além do uso da energia solar, a inauguração da sala chama a atenção especialmente depois de muitos cinemas terem fechado nos últimos dois anos por conta das restrições impostas pela pandemia, como foi o caso da maioria das unidades da Playarte. Ao mesmo tempo, com a volta das atividades presenciais, São Paulo assiste ao surgimento de novas salas de cinema, como o Cineclube Cortina, na República, e o Cine LT3, em Perdizes —e, agora, o Cine A
Para Renan, a aposta sustentável é uma das características que devem levar o público ao Cine A. "Acho que a tendência mundial é ser autossustentável e acessível. Além da acessibilidade das salas, também pretendemos contratar profissionais de libras para atender o público", afirma.
Ele considera que marcas do novo cinema são a inovação e o conforto —ainda que as poltronas de estofamento reforçado não tenham impressionado Santos, a menina da sessão de "Mundo Estranho". Para ela, a inclinação dos assentos poderia melhorar. "São muito retos", disse.

Fonte: Guia Folha

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