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Músicos defendem uso de pau-brasil para fazer arcos de violino e violoncelo

06/12/2022

Músicos e fabricantes de instrumentos musicais do mundo todo acompanharam com apreensão os debates do encontro deste ano da Cites (Convenção Sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas, na sigla inglesa), que terminou no dia 25 de novembro no Panamá.
Estava em jogo o destino do pau-brasil (Paubrasilia echinata), árvore sob risco de extinção cuja madeira é considerada indispensável para a fabricação dos arcos profissionais de instrumentos como violinos e violoncelos.
Havia a proposta de colocar a espécie na categoria mais restritiva da Cites, que proibiria qualquer forma de transação comercial envolvendo exemplares obtidos na natureza. Negociações envolvendo o Brasil, a União Europeia e os EUA evitaram essa reclassificação.
O principal desafio, porém, vem agora: encontrar maneiras de recuperar as diferentes populações de pau-brasil na mata atlântica e, ao mesmo tempo, de produzir comercialmente sua madeira, altamente valorizada pelas grandes orquestras do planeta.
A Cites compila uma série de listas de espécies, chamadas de apêndices, aprovadas pelos países signatários da convenção. Os apêndices envolvem diferentes restrições para o comércio de animais e plantas e de produtos derivados deles.
Na reunião de 2022 no Panamá, designada como a 19ª COP (Conferência das Partes) do tratado, o governo brasileiro, por meio do Ibama, originalmente tinha proposto que o pau-brasil saísse do Apêndice 2 (categoria de proteção intermediária) para o Apêndice 1 (o mais rigoroso).
Hoje constam do Apêndice 1 espécies como o panda-vermelho, o elefante-asiático e uma espécie de araucária que ocorre no Chile e na Argentina.
"Se isso fosse aprovado, um músico de orquestra não conseguiria fazer viagens internacionais trazendo consigo um arco de pau-brasil", diz Daniel Neves, presidente da Anafima (Associação Nacional da Indústria da Música).
"Os luthiers [artesãos que fabricam e consertam instrumentos de corda] teriam problemas para reformar um instrumento. Seria extremamente complicado."
A madeira de pau-brasil confere características mecânicas únicas ao arco usado para tocar os instrumentos de corda, segundo Neves, em especial no que diz respeito à vibração do instrumento.
"A madeira de ipê chega perto em alguns aspectos, mas não o suficiente. Todos os músicos dizem que não tem comparação —o arco de pau-brasil é um instrumento de precisão."
Segundo o luthier André Amaral, a boa elasticidade proporcionada pela madeira de pau-brasil é uma das chaves de seu status especial para os músicos.
"Há também a questão da densidade, que depende do tipo de instrumento", explica ele. "Uma madeira mais densa é destinada aos arcos de violoncelo, enquanto as menos densas são preferidas para a fabricação de violinos e violas."
Amaral conta ainda que técnicas usadas para medir a elasticidade de pontes de madeira foram adaptadas para medir a qualidade das varetas dos instrumentos. Substitutos sintéticos em geral são usados apenas em instrumentos musicais amadores.

Termine de ler a matéria acessando a Folha de S. Paulo

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