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Apesar de peculiaridades, desafio para a conservação em Madagáscar são similares aos do Brasil

06/12/2022

Um território com área equivalente à do Estado de Minas Gerais em que 82% das espécies de plantas e 90% dos vertebrados só ocorrem lá. Convivendo com essa biodiversidade única no planeta, uma população com um dos menores índices de desenvolvimento humano (IDH) do mundo. Madagáscar, país insular na costa sudeste africana, possui o desafio de harmonizar a conservação com o desenvolvimento.
Um retrato dessa diversidade biológica, as principais ameaças e as perspectivas para sua conservação compõem dois estudos publicados na revista Science nesta quinta-feira (01/12) por pesquisadores de 50 organizações de todo o mundo, incluindo uma brasileira apoiada pela FAPESP.
“Do ponto de vista da conservação, Madagáscar tem desafios parecidos com os do Brasil. É um país em desenvolvimento, mas com áreas remotas pobres. Ambos precisam trabalhar a conservação junto à melhoria das condições sociais”, afirma Thaís Guedes, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), uma das autoras dos estudos.
Em um deles, o time de pesquisadores faz uma extensa revisão e atualização do que se sabe sobre a evolução, distribuição e usos da biodiversidade da ilha. Os cientistas mostram que as espécies de Madagáscar são tão próprias daquele lugar que a extinção de apenas uma delas pode significar ao mesmo tempo o fim de toda uma linhagem evolutiva.
“Falamos que Madagáscar tem espécies únicas no mundo, mas isso vai além. Existem categorias maiores que espécies que só existem lá, como a dos lêmures [Lemuroidea], toda uma ordem de aves [Mesitornithiformes] e todas, exceto três espécies, de sapos mantelídeos. A perda de uma espécie pode representar o fim de toda uma linhagem que demorou milhões de anos para se constituir”, diz Guedes.
No caso dos lêmures, linhagens inteiras já foram extintas, como as dos lêmures-koala, lêmures-macacos e lêmures-preguiça. Desapareceram da natureza ainda as duas espécies de hipopótamo da ilha, tartarugas gigantes, além da ordem das aves-elefante. Segundo os pesquisadores, extinções como essa representam implicações de grande escala para o funcionamento do ecossistema.
Os dados atualizados pelo estudo dão conta de que hoje há descritas na ilha 11.516 espécies de plantas vasculares (82% endêmicas) e 1.215 briófitas (28% exclusivas do território). Entre os vertebrados terrestres e de água doce, 95% dos mamíferos, 56% das aves, 81% dos peixes de rios e 98% dos répteis não são encontrados em nenhum outro lugar na Terra.
São tidas como extintas 13 espécies endêmicas, considerando apenas extinções depois do ano 1500. Outras 33 extinções ocorreram em tempos pré-históricos, ainda assim associadas à chegada dos primeiros humanos na ilha.
Os dados atualizados pelo estudo dão conta de que hoje há descritas na ilha 11.516 espécies de plantas vasculares (82% endêmicas) e 1.215 briófitas (28% exclusivas do território). Entre os vertebrados terrestres e de água doce, 95% dos mamíferos, 56% das aves, 81% dos peixes de rios e 98% dos répteis não são encontrados em nenhum outro lugar na Terra.
São tidas como extintas 13 espécies endêmicas, considerando apenas extinções depois do ano 1500. Outras 33 extinções ocorreram em tempos pré-históricos, ainda assim associadas à chegada dos primeiros humanos na ilha.
No outro estudo publicado, os autores refletem sobre o declínio da biodiversidade malgaxe, mas também apontam oportunidades de conservação para o país. Uma vez que grande parte da população retira o sustento das florestas na forma de lenha ou caça, os autores veem esse fato como uma oportunidade para um desenvolvimento baseado no uso sustentável da biodiversidade. Das 40.283 espécies de plantas usadas por humanos no mundo, 1.916 (5%) são encontradas em Madagáscar, 595 endêmicas do país. Com 28 milhões de habitantes, 10,4% do território é protegido por lei.
“Até agora, o foco tem sido criar áreas protegidas e excluir seres humanos delas o máximo possível, diminuindo seus impactos na biodiversidade. Infelizmente, isso não tem trazido os resultados esperados, porque comunidades pobres – a grande maioria da população do país – precisam cozinhar e esquentar suas casas e, sem alternativas, cortam árvores das reservas existentes para usar a madeira”, conta Alexandre Antonelli, biólogo paulista que é diretor científico dos Jardins Botânicos Reais em Kew, ou Kew Gardens, na Inglaterra, e coordenou os estudos.

A matéria na íntegra pode ser lida em Um Só Planeta

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