UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Mais de mil elefantes, zebras e búfalos morreram por causa da seca no Quênia em nove meses

17/11/2022

Mais de mil elefantes, zebras, gnus, búfalos e outros animais morreram nos últimos nove meses no Quênia em consequência da pior seca que este país e o Chifre da África conheceram nos últimos 40 anos. Isso foi revelado pelo Ministério do Turismo e Vida Selvagem do país em um relatório publicado na sexta-feira, que enfatiza não apenas a escassez de pontos de água, mas também a perda de vegetação, que afeta especialmente os herbívoros. O governo tenta combater o problema cavando poços e transportando água para barragens e reservatórios secos.
"Os guardas florestais do Serviço de Vida Selvagem do Quênia, exploradores comunitários e equipes de pesquisa registraram a morte de 205 elefantes, 512 gnus, 381 zebras comuns, 51 búfalos, 49 zebras e 12 girafas nos últimos nove meses", disse o relatório. Acrescenta que os ecossistemas mais afetados são precisamente os parques nacionais, reservas e áreas de conservação mais visitadas pelos turistas, como Amboseli, Tsavo e Laikipia-Samburu.
A Ministra do Turismo, Vida Selvagem e Patrimônio do Quênia, Peninah Malonza, disse que, além de tentar levar água para a área, “está sendo realizada uma vigilância aprimorada da vida selvagem fora das áreas protegidas para reduzir o conflito entre humanos e animais selvagens”.
A situação dos elefantes é particularmente grave e as perdas são sentidas especialmente entre os mais jovens. O relatório indica que em Amboseli, onde estão registrados cerca de 1.900 exemplares, morreram 76. Destes, 45 eram jovens que morreram de desnutrição porque suas mães, incapazes de se alimentar durante a reprodução, não conseguiam produzir leite suficiente.
Menção especial merece o caso das zebras-de-grevy, uma espécie ameaçada de extinção da qual restam cerca de 3.000 animais no Quênia e dos quais 49 morreram devido à seca. Segundo a organização Grevy´s Zebra Trust, cerca de 600 exemplares se concentraram nas reservas de Samburu, Buffalo Springs e Shaba, no norte do país, em busca das últimas pastagens da região. Muitas delas são mães com seus filhotes nascidos em 2019 e 2020, para quem é vital encontrar comida e água.
O próprio relatório reconhece que a situação pode ser ainda mais catastrófica e o número de animais mortos pior, já que os guardas florestais e as equipes de pesquisa não podem percorrer todo o território em busca de carcaças e que muitos dos corpos podem ter sido comidos por outros animais.
A seca que está por trás da alta mortalidade de espécimes é a mais grave em quatro décadas após quatro estações chuvosas fracassadas, principalmente nos últimos dois anos, em que houve pouca ou irregular precipitação. Afeta principalmente quatro países do Chifre da África: Quênia, Somália, Etiópia e Djibuti.
A morte de animais selvagens é apenas uma das consequências da seca, como alerta o próprio Grevy´s Zebra Trust.
“Esta situação é devastadora para as comunidades de pastoreio com as quais trabalhamos, das quais vem mais de 90% de nossa equipe. Para quem não é pastor, é impossível compreender quão profundas são as raízes da identidade cultural quando se trata de possuir gado. Não é simplesmente uma forma de economia; é um apego que vai muito além, toca a identidade espiritual e cultural de indivíduos e comunidades inteiras”, diz a organização em seu site.
— Dois anos consecutivos sem chuva trouxeram miséria a milhões de pessoas. 2,5 milhões de cabeças de gado morreram no Quênia só este ano, causando perdas econômicas de mais de US$ 1,5 bilhão — destacou esta semana na COP27 o presidente do Quênia, William Ruto, que também é coordenador do Comitê de Chefes de Estado e de Governo Africanos sobre Mudanças Climáticas (Cahoscc).
— As perdas e danos [causados ​​pela crise climática] não são um assunto abstrato de diálogo sem fim: é nossa experiência diária e o pesadelo vivo de milhões de quenianos e centenas de milhões de africanos — acrescentou.
A Organização das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) assegura que cerca de 18 milhões de pessoas se encontram em situação de insegurança alimentar aguda, à beira da fome, no Quênia, Somália e Etiópia devido à seca. Soma-se à escassez de água o aumento dos preços dos alimentos e fertilizantes devido primeiro à covid-19 e depois à guerra na Ucrânia e, no caso da Somália e da Etiópia, aos conflitos que sofrem.

Fonte: O Globo

Novidades

Dragão-de-komodo? Lagarto de grandes proporções é flagrado caminhando pela areia da Praia da Barra; veja vídeo

08/10/2026

Por alguns instantes, quem viu o animal ao vivo ou assistiu ao vídeo que relatava sua presença na Pr...

Jacareí vai plantar mil árvores com ajuda de moradores

08/10/2026

Mais de 1.000 plantios para embelezar e refrescar a cidade. É o que os moradores de Jacareí podem es...

País tem 30 milhões de crianças sob risco climático e El Niño forte pode agravar cenário, alerta Unicef

08/10/2026

Mais de 30 milhões de crianças estão expostas a dois ou mais riscos climáticos no Brasil, segundo an...

Seca e calor extremos do último El Niño antecipam ´novo normal´ nas florestas tropicais

08/10/2026

Cerca de 75% das áreas das florestas tropicais do mundo enfrentaram pelo menos seis meses de seca e ...

A embalagem flexível é vilã ou aliada da sustentabilidade?

08/10/2026

A leveza que torna o material eficiente na fábrica é a mesma que o faz perder valor na cooperativa. ...

Ambulância solar leva atendimento a áreas remotas do Quênia

08/10/2026

Em regiões rurais do Quênia, chegar a um hospital pode ser um desafio que começa muito antes de uma ...