UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Couro sustentável de pirarucu conquista mercado americano; bolsas com material custam até R$ 4 mil

08/11/2022

Às vezes a gente começa algo sem saber onde isso vai nos levar. Assim foi com Eduardo Filgueiras, um guitarrista em dificuldades cuja família trabalhava em um negócio inusitado no Rio de Janeiro: a criação de rãs. Eduardo descobriu uma maneira de pegar pequenas peles de rã e fundi-las, criando algo suficientemente grande e possível de ser vendido.
Enquanto isso, a quilômetros de distância, na Amazônia, um pescador e um cientista estavam apresentando uma inovação que ajudaria a salvar um peixe gigante e importante que vive em lagos de água doce ao longo dos afluentes do rio Amazonas: o Pirarucu.
E foi por causa da engenhosidade dessas três pessoas que agora o couro do peixe sustentável pode ser encontrado em bolsas de luxo de Nova York, botas de cowboy do Texas e até em uma peça de roupa vestida na sessão de fotos de gravidez de Rihanna para a revista Vogue.
O couro vem da carne de pirarucu, um alimento da Amazônia que vem ganhando popularidade no país nos últimos anos.
Em áreas protegidas da região, comunidades indígenas trabalham em conjunto com ribeirinhos para o manejo do pirarucu. A maior parte é exportada, e os EUA são o principal mercado.
O peixe pode crescer até 3 metros de comprimento, mas a pesca excessiva colocou a espécie em risco. As coisas só começaram a mudar quando um pescador, Jorge de Souza Carvalho, conhecido como Tapioca, e o pesquisador acadêmico Leandro Castello se uniram na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e criaram uma forma criativa de contar os peixes em lagos, habitat favorito do peixe gigante.
Esta espécie tem uma característica única: eles afloram na altura da superfície a cada 20 minutos para respirar. Por isso, um olho bem treinado pode contar quantos desses peixes piscam suas caudas vermelhas em uma determinada área, chegando a uma estimativa bastante precisa.
O governo reconhece este método de contagem e autoriza o manejo sustentável da pesca. Por lei, apenas 30% do pirarucu em uma determinada área pode ser pescado no ano seguinte. O resultado é uma população em recuperação nessas áreas, permitindo maiores capturas.
Nas comunidades ribeirinhas, as pessoas comem o peixe com pele e tudo. Mas nos grandes frigoríficos, onde se processa a maior parte da captura do pirarucu, a pele era descartada. Mas é aqui que a fábrica de alcaçaria Nova Kaeru entra em cena.
A milhares de quilômetros da Amazônia, perto de uma estrada de terra montanhosa nos arredores do Rio de Janeiro, a Nova Kaeru processará cerca de 50.000 peles do gigante pirarucu legalmente capturado este ano.
A empresa de médio porte teve um início improvável. Em 1997, Filgueiras, o guitarrista, envolveu-se no negócio de rãs da família, onde os anfíbios eram criados para a produção de carne. Ele ficou impressionado com a beleza das peles desses animais, mas tudo isso estava sendo jogado fora. Foi aí então que ele decidiu tentar usá-las, fez um curso de trabalho em couro e começou a experimentar.
“Eu não tinha recursos financeiros. Comprei uma betoneira usada e cobri com fibra de vidro, adaptei uma máquina de lavar e comecei a desenvolver o couro de sapo", disse Filgueiras à Associated Press em seu escritório.

Leia a matéria inteira no g1

Novidades

Dragão-de-komodo? Lagarto de grandes proporções é flagrado caminhando pela areia da Praia da Barra; veja vídeo

08/10/2026

Por alguns instantes, quem viu o animal ao vivo ou assistiu ao vídeo que relatava sua presença na Pr...

Jacareí vai plantar mil árvores com ajuda de moradores

08/10/2026

Mais de 1.000 plantios para embelezar e refrescar a cidade. É o que os moradores de Jacareí podem es...

País tem 30 milhões de crianças sob risco climático e El Niño forte pode agravar cenário, alerta Unicef

08/10/2026

Mais de 30 milhões de crianças estão expostas a dois ou mais riscos climáticos no Brasil, segundo an...

Seca e calor extremos do último El Niño antecipam ´novo normal´ nas florestas tropicais

08/10/2026

Cerca de 75% das áreas das florestas tropicais do mundo enfrentaram pelo menos seis meses de seca e ...

A embalagem flexível é vilã ou aliada da sustentabilidade?

08/10/2026

A leveza que torna o material eficiente na fábrica é a mesma que o faz perder valor na cooperativa. ...

Ambulância solar leva atendimento a áreas remotas do Quênia

08/10/2026

Em regiões rurais do Quênia, chegar a um hospital pode ser um desafio que começa muito antes de uma ...