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Brasileira cria sorveteria na Irlanda com frutas que seriam descartadas

11/10/2022

Ao mesmo tempo que milhões de pessoas passam fome, mais de um bilhão de alimentos são desperdiçados anualmente ao redor do mundo, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Reduzir esse desperdício é urgente e, algumas iniciativas, estão fazendo a diferença. Um exemplo é a brasileira, Giselle Makinde, que criou a marca de sorvetes Cream of the Crop com a proposta de fabricar sabores incríveis, aproveitando alimentos que iam para o lixo.
Giselle trabalha como chef desde seus 18 anos e decidiu buscar novas oportunidades fora do Brasil em 2018. “A Irlanda foi o país que mais me chamou a atenção pelas grandes oportunidades profissionais na gastronomia. Não tinha ideia de como seria minha jornada”, compartilha.
O seu primeiro emprego em terras irlandesas foi em uma cafeteria onde a sustentabilidade era uma preocupação. “Eles me mostraram que muitos alimentos que seriam vencidos, poderiam ser transformados em receitas deliciosas, evitando desperdício. Me encantei por essa possibilidade”, relata.
Com vontade de criar seu próprio negócio, Giselle fez um curso intensivo de oito semanas sobre como desenvolver sua própria empresa na Irlanda e a primeira oportunidade apareceu.
Dentre tantos produtos a serem escolhidos, seu projeto se iniciou com o reaproveitamento das frutas. A escolha aconteceu, pois, as frutas são alguns dos alimentos mais sensíveis na cadeia e não possuem um prazo estendido para serem reutilizados em outra receita.
Mas, com o processo correto, os alimentos produzidos com frutas podem durar um ano ou até mais – especialmente, quando congeladas. Assim nasceu a ideia de fazer sorvetes. “Os irlandeses consomem muito sorvete ao longo de todo o ano, e não apenas no verão. Então, encontrei a oportunidade perfeita de testar minhas receitas em produtos que fazem sucesso no país”, explica.
A trilha até chegar à fabricação perfeita, contudo, foi árdua. Após realizar um curso de gelato italiano em uma das mais renomadas sorveterias do país, Giselle conseguiu compreender como adaptar a fórmula de fabricação de sorvetes para seus alimentos reaproveitados.
Com um investimento inicial de R$ 16 mil, em julho de 2020, foi criado o primeiro sorvete, de banana. Os resultados não poderiam ter sido melhores.
Ao contrário do que imaginava, os sorvetes foram vendidos rapidamente. Hoje, são mais de 20 sabores, entre eles caramelo salgado, brownie e as opções veganas estão entre os mais vendidos. Todos eles têm ao menos um ingrediente que ia para o lixo, que a empreendedora capta por meio de doação.
Ao todo, quase 10 toneladas de alimentos já foram reaproveitadas. Os produtos têm apelo saudável e sustentável. Não são usados corantes, saborarizantes ou aromatizantes artificiais. Além disso, as embalagens são compostáveis e as sacolas térmicas são reutilizáveis.
Com potes de sorvetes de 500ml a preços entre sete e oito euros, seu negócio já atingiu seis cidades irlandesas – incluindo grandes supermercados regionais e redes de restaurantes. O projeto, iniciado por conta própria, hoje conta com cinco funcionários trabalhando em prol desta causa, com expectativas de continuar crescendo.
Em 2021, o negócio recebeu um aporte de 60 mil euros de Tiago Mascarenhas, também brasileiro, fundador da SEDA College, eleita por três anos consecutivos como a melhor escola de idiomas de Dublin. Assim, a empresa que começou dentro da casa de Giselle, hoje conta com uma fábrica de 160 metros quadrados e modernos equipamentos que permitem uma produção de 10 mil potes por mês.

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