
29/09/2022
Todos os mamíferos modernos, incluindo nós seres humanos, a baleia-azul, cachorros e ornitorrincos, descendemos de um ancestral comum que viveu há cerca de 180 milhões de anos. Cientistas reconstruíram o genoma desse animal em um feito impressionante publicado em 30 de setembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
De acordo com a equipe, o ancestral tinha aparência similar com o mamífero Morganucodon, que viveu nos períodos Triássico e Jurássico da era dos dinossauros. Para organizarem o genoma do antigo ser, os pesquisadores se basearam em sequências genômicas de alta qualidade de 32 espécies vivas, representando 23 das 26 ordens conhecidas de mamíferos.
A equipe incluiu humanos, chimpanzés, vombates, coelhos, peixes-boi, gado doméstico, rinocerontes, morcegos e pangolins, além de genomas de galinha e jacaré-da-china como grupos de comparação. Alguns dos códigos genéticos foram organizados como parte do Projeto BioGenoma da Terra, junto a outros esforços de sequenciamento.
Os resultados mostraram que o ancestral comum a todos os mamíferos tinha 19 cromossomos autossômicos. De acordo com Joana Damas, primeira autora do estudo, esses são aqueles que controlam a herança de características sem ser aquelas controladas por cromossomos ligados ao sexo (tais totalizam 38, além de dois cromossomos sexuais).
Além disso, os pesquisadores identificaram 1.215 blocos de genes que ocorrem no mesmo cromossomo na mesma ordem em todos os 32 genomas das espécies. Os blocos contêm genes que são críticos para o desenvolvimento de um embrião normal, conforme Damas.
Havia ainda nove cromossomos inteiros ou fragmentos no mamífero ancestral, cuja ordem dos genes é a mesma nos cromossomos das aves modernas.Isso sugere uma estabilidade evolutiva dessa ordem ao longo de um período de mais de 320 milhões de anos, segundo avalia Harris Lewin, autor sênior do artigo.
"Nossos resultados têm implicações importantes para entender a evolução dos mamíferos e para os esforços de conservação", disse Lewin, em comunicado.
As regiões entre os blocos conservados tinham sequências mais repetitivas e eram mais propensas a quebras, rearranjos e duplicações — principais impulsionadores da evolução do genoma. Os pesquisadores descobriram ainda que a taxa de rearranjo cromossômico diferia entre as linhagens de mamíferos.
Por exemplo, nos ruminantes (gado, ovelhas e veados) houve uma aceleração no rearranjo há 66 milhões de anos, quando um impacto de asteroide matou os dinossauros e levou ao surgimento dos mamíferos.
Com isso, os cientistas consideram que as conclusões poderão ajudar a entender a genética por trás de adaptações que permitiram a nós mamíferos florescermos frente mudanças no planeta nos últimos 180 milhões de anos.
"As reconstruções do genoma ancestral são críticas para interpretar onde e por que as pressões seletivas variam entre os genomas", avalia William Murphy, da Texas A&M University, que não contribuiu com a pesquisa. “Isso fornece a base para avaliar o papel da seleção natural na evolução cromossômica em toda a árvore da vida dos mamíferos”.
Fonte: Revista Galileu
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