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Itália debate mudança climática após dez mortes por tempestade violenta

20/09/2022

Ao menos dez pessoas morreram e quatro são consideradas desaparecidas nas tempestades violentas que caíram na madrugada desta sexta-feira (16) no centro da Itália, destruindo casas e ruas, uma tragédia que abriu o debate sobre as medidas a serem tomadas contra a mudança climática.
A uma semana das eleições legislativas, a tromba d´água que devastou várias cidades em poucas horas e que deixou mortos, desaparecidos e feridos, gerou um debate nacional pela ausência de alerta para o fenômeno inesperado.
"Caíram 400 mm de chuva em seis horas em uma área onde costuma cair 1.500 em um ano. Isso definitivamente está ligado à mudança climática e precisamos nos acostumar e nos adaptar. Este é o futuro, uma demonstração do futuro, precisamos construir a nossa resiliência", explicou à AFP Paola Pina D´Astore, da sociedade italiana de geologia ambiental.
Entre os desaparecidos há um menino de seis anos que estava com sua mãe em um veículo. A mulher foi socorrida pelos bombeiros, mas a força da água levou o menino.
"O centro histórico de Cantiano não existe mais. A praça principal foi tomada pela força da lama que invadiu e destruiu os bares, a farmácia, as lojas, levando todos os móveis, tudo", disse Natalia Grilli, vice-prefeita de Cantiano, na região de Marche.
A área mais afetada é a província de Ancona, mas as chuvas também abalaram a região vizinha de Umbria.
Vários meteorologistas consideram que esses fenômenos se multiplicarão por todo o país nos próximos meses devido ao verão anômalo e à extensa onda de calor, com temperaturas recordes de até 42 graus em meio à maior seca dos últimos 70 anos.
"Morreram pessoas, e é por isso que hoje o interesse pela catástrofe climática é maior. Isso deve nos fazer refletir. A morte nos coloca em contato com nossos valores. O que queremos fazer com nossas vidas enquanto o Estado italiano não faz nada para reduzir emissões e evitar dezenas de milhares de mortes semelhantes nos próximos anos?" lamentou Michele Giuli, ativista do movimento ambientalista Última Geração.
"Isso se chama crise climática, não mau tempo", reagiu no Twitter a filial italiana do "Fridays for Future", movimento juvenil em defesa do clima, enquanto o presidente da Cruz Vermelha italiana, Francesco Rocca, reconheceu que "está preocupado com o aumento de eventos climáticos extremos" em toda a península.
Alguns prefeitos da região lamentaram que ninguém os avisou do perigo, enquanto o especialista Bernardo Gozzini, do Centro Nacional de Pesquisa, afirmou que este foi "um fenômeno impossível de prever".

Fonte: g1

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