
06/09/2022
De escorpiões a camaleões, cobras e até um crocodilo.
Esses animais, e muitos outros, povoaram o "museu vivo" em que Andrés Cota Hiriart cresceu.
O zoólogo e naturalista mexicano conta em seu livro "Fieras familiares" ("Feras familiares", na tradução em português) suas divertidas aventuras com os animais que marcaram sua vida, tanto na infância quanto em suas viagens de exploração pelo mundo.
O escritor conta como acabou mordido pela própria serpente píton, recebeu escorpiões de presente no Dia dos Namorados, foi perseguido por um macho alfa de leão-marinho nas Ilhas Galápagos e surpreendentemente sobreviveu ao ataque de uma anaconda.
O livro também é uma reflexão profunda sobre a atual crise de extinção em massa e um chamado à ação para todos nós "macacos falantes amantes de plástico".
Cota Hiriart conversou com a BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, no âmbito do Hay Festival Querétaro, que acontece na cidade mexicana de mesmo nome de 1° a 4 de setembro.
BBC - Como nasceu dentro de você a paixão pelos animais, principalmente pelos répteis?
Andrés Cota Hiriart - Muitas pessoas que têm esse tipo de paixão pela natureza, especificamente pelas serpentes, já nascem assim.
Gosto muito delas desde que me lembro. Encontrei uma certa experiência estética na natureza em geral e nos répteis e anfíbios em particular.
Minha mãe e meu pai, que são fisiologistas médicos, não necessariamente encorajaram meu comportamento, mas não me censuraram. Muitos meninos ou meninas podem ter essa ligação censurada.
BBC - É maravilhoso como sua mãe, com infinita paciência, permitiu que você tivesse em sua casa de escorpiões a pítons e até um crocodilo chamado Lupe.
Hiriart - Agora que estou pensando em minha mãe, coloco nela um pouco da responsabilidade porque - e ela não escolheu isso - ela era alérgica a cães e gatos. Então esse meu chamado pela natureza não poderia ser suprido por animais de estimação convencionais e, além disso, nunca tive irmãos, sou filho único.
Quando minha mãe fez doutorado nos Estados Unidos, nos mudamos para um lugar numa floresta, na costa de Massachusetts. Eu tinha uns 3 anos e meio. Alguns dizem que a infância é o destino.
Quando voltamos para a Cidade do México, como não era mais possível tirar de mim o que já havia sido criado, eu era uma criança selvagem. Me cerquei de todos esses organismos com que já convivia, sempre os considerei como membros da família.
Por isso, o título do livro é Fieras Familiares, que é uma alusão a A Minha Família e Outros Animais, de Gerald Durrell, um livro que foi muito formativo para mim. Ele vê os humanos e os animais não-humanos com o mesmo nível de afeto.
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