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Saiba como é o porta-aviões brasileiro que foi barrado pela Turquia por questões ambientais

30/08/2022

Desativado desde 2017, o porta-aviões São Paulo, cuja exportação é alvo de denúncias por organizações ambientalistas, é a maior embarcação que já integrou a frota da Marinha brasileira, mas viveu uma história de problemas desde que chegou ao país, em 2001.
Com 266 metros de comprimento e pesando 31 mil toneladas, o navio tem capacidade para até 40 aeronaves e seu armamento era composto por três lançadores duplos de mísseis e metralhadoras de grosso calibre.
Foi construído no final dos anos 1950 e batizado pela Marinha francesa de Foch. Tinha um gêmeo, o porta-aviões Clemenceau, já desmantelado. Foi comprado em 2000 pela Marinha brasileira e chegou ao país em 2001.
Em 2004, uma explosão em um duto de vapor da embarcação matou três pessoas. Logo depois, em 2005, o porta-aviões foi enviado para obras de revitalização e só foi reincorporado à frota cinco anos depois.
A Marinha chegou a planejar outra modernização em 2015, para estender a vida útil do navio até 2039, mas decidiu desativar o navio dois anos depois. Ele foi vendido à turca Sök Denizcilik and Ticaret Limited por R$ 10,5 milhões em leilão realizado em 2021. Nesta sexta, o governo da Turquia decidiu barrar a entrada alegando que o governo brasileiro se recusa a fazer nova análise sobre a existência de amianto e outras substâncias perigosas no navio.
O processo de venda foi questionado logo no início por ambientalistas, que conseguiram proibir a participação de estaleiros asiáticos, limitando o rol de interessados a estaleiros que cumprissem requisitos europeus de manuseio de produtos tóxicos.
Segundo especialistas, há grandes quantidades de amianto em sistemas de isolamento da embarcação. A ONG Shipbreaking Platform diz que o Clemenceau tinha 760 toneladas do material, que é apontado como causador de câncer e asbestose, doença crônica pulmonar de origem ocupacional.
O relatório de resíduos tóxicos do São Paulo é questionado por organizações ambientalistas, por estimar a presença de menos de dez toneladas de amianto. A empresa responsável pela análise, a norueguesa Grieg Green, admite que não conseguiu acesso a toda a embarcação.
Com base nesses questionamentos, o Instituto São Paulo-Foch obteve liminar na Justiça Federal do Rio de Janeiro para impedir a saída do navio do Brasil, mas a Marinha disse que não poderia cumprir a ordem porque a embarcação já estava em águas internacionais.
Embora seja o maior porta-aviões a ter integrado a esquadra brasileira, o São Paulo é pequeno perto dos grandes navios desse tipo. O maior porta-aviões em operação hoje é da classe Ford, dos Estados Unidos, com 337 metros de comprimento e capacidade para 90 aeronaves.
Em junho, a China lançou ao mar o casco de seu primeiro porta aviões 100% nacional, com 320 metros de comprimento e capacidade para 60 aeronaves. As obras da embarcação ainda serão concluídas em um dique.

Veja o raio-X do porta-aviões na Folha de S. Paulo

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